Empresas correm para se adequar às novas exigências da norma, mas especialistas alertam que treinamentos sem controle e monitoramento podem gerar riscos em fiscalizações
A entrada em vigor das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) colocou a saúde e a segurança do trabalho no centro das atenções das empresas brasileiras. A atualização amplia a responsabilidade das organizações na identificação, prevenção e monitoramento dos riscos ocupacionais, incluindo os fatores psicossociais relacionados à saúde mental dos colaboradores, como estresse, assédio moral, sobrecarga de trabalho e esgotamento profissional. (CBIC)
Diante desse cenário, muitas empresas estão investindo em consultorias, treinamentos e adequações para atender às novas exigências legais. No entanto, segundo o consultor empresarial Bruno Castro, especialista em Processos, Tecnologia e Mentalidade, existe um ponto que ainda passa despercebido por grande parte dos gestores: a falta de gestão dos processos relacionados à conformidade.
“A maioria das empresas está preocupada em atender à NR-1, o que é correto. Mas existe uma diferença importante entre executar uma ação e conseguir comprovar que ela está sendo executada de forma contínua. Em uma fiscalização, não basta dizer que treinou ou orientou os colaboradores. É preciso apresentar evidências, indicadores e monitoramento”, afirma.
A preocupação faz sentido. A nova regulamentação exige que as empresas adotem uma gestão contínua dos riscos ocupacionais, registrando ações, acompanhando resultados e mantendo documentação atualizada. Especialistas apontam que a ausência de controles adequados pode dificultar a comprovação das medidas adotadas, mesmo quando a organização realiza treinamentos e ações preventivas. (Serviços e Informações do Brasil)
Segundo Bruno Castro, um dos erros mais comuns é acreditar que a responsabilidade termina após a contratação de um profissional de segurança do trabalho ou da realização de um treinamento obrigatório. Para ele, a adequação à NR-1 exige uma visão integrada entre segurança, gestão e processos.
“O profissional de segurança do trabalho é fundamental para identificar riscos e orientar tecnicamente a empresa. Porém, para que tudo funcione na prática, é necessário criar mecanismos de gestão que permitam acompanhar prazos, treinamentos realizados, reciclagens, indicadores e evidências. Sem isso, a empresa fica vulnerável.”
Na prática, empresas mais organizadas já estão adotando sistemas de acompanhamento contínuo. Relatórios automáticos, dashboards gerenciais, controle de treinamentos, indicadores de conformidade e alertas preventivos passaram a integrar a rotina de gestão. Essas ferramentas permitem que a direção tenha uma visão clara do nível de adequação da empresa e possa agir antes que um problema se transforme em passivo trabalhista ou autuação.
“Hoje a tecnologia permite monitorar praticamente 100% das obrigações relacionadas aos treinamentos e processos internos. Existem soluções que geram relatórios automáticos para a diretoria, acompanham vencimentos e fornecem indicadores em tempo real. Isso reduz riscos e traz muito mais segurança para a tomada de decisão”, explica.
Além das questões legais, o tema também possui impacto direto na produtividade e na governança corporativa. De acordo com dados da Previdência Social, somente em 2025 foram concedidos mais de 546 mil benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior. Entre os principais motivos estão transtornos de ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse grave. (Agência Brasil)
Para Bruno Castro, a atualização da NR-1 representa uma oportunidade para que as empresas evoluam seus processos internos e fortaleçam a cultura de gestão.
“A NR-1 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal. Ela é uma oportunidade para as empresas estruturarem melhor seus processos, aumentarem a previsibilidade e criarem ambientes mais seguros e produtivos. Quem enxergar a norma apenas como uma exigência burocrática estará perdendo uma grande oportunidade de evolução.”
Serviço: B.Castro Consultoria
Bruno Castro
Consultor em Processos, Tecnologia e Mentalidade
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