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“Depois dos ganhos operacionais, desafio da IA ainda é virar valor econômico comprovado”, diz head de IA da Senior

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“Depois dos ganhos operacionais, desafio da IA ainda é virar valor econômico comprovado”, diz head de IA da Senior
Rogério Nascimento

Rogerio Nascimento, executivo à frente da área de IA da Senior, defende uma agenda de maturidade para empresas que já avançaram no uso operacional da tecnologia

Rogerio Nascimento, head de IA da Senior Sistemas, referência em software para gestão na América Latina, sinaliza que o próximo passo da aplicação de Inteligência Artificial (IA) na gestão das empresas brasileiras será mais exigente do que contar com copilotos, automações, assistentes e agentes de apoio às tarefas operacionais. O desafio agora está em metrificar, provar impacto econômico, definir governança e transformar iniciativas dispersas em uma plataforma conectada ao negócio. 

“A discussão não pode ficar restrita ao ganho de horas. O ponto é como transformar IA em valor econômico comprovado, vantagem competitiva e capacidade organizacional”, afirma Nascimento. Na avaliação do executivo, o avanço da tecnologia nos próximos 18 a 24 meses será decisivo para empresas de ERP consolidarem protagonismo em um mercado cada vez mais orientado por dados, automação e inteligência aplicada à gestão. 

A avaliação parte de uma mudança de maturidade. Empresas que desejam avançar em IA precisam superar a fase de experimentação pontual. A pauta está menos em adotar ferramentas e mais em criar uma arquitetura operacional capaz de organizar iniciativas, definir prioridades, medir ROI e dar escala ao que já gera impacto. “Hoje, a pergunta mais relevante para CEOs e CIOs é como metrificar IA. Sem métrica, a tecnologia vira custo; com governança e clareza de valor, ela passa a orientar decisões.” 

Esse movimento aparece em um cenário de contraste. Dados da Bain & Company apontam que 67% das organizações brasileiras consideram IA uma de suas cinco prioridades estratégicas. Ao mesmo tempo, um levantamento da Fundação Dom Cabral em estudo com a Meta, indica que 68% das organizações não possuem um núcleo responsável pela coordenação estratégica de projetos de IA. Para o executivo, esse descompasso revela um desafio comum: a tecnologia avança no uso cotidiano antes de se tornar uma capacidade governada. 

A consequência é o crescimento de iniciativas isoladas, muitas vezes sem rastreabilidade, padronização ou conexão com indicadores de negócio. Segundo o head de IA da Senior, o papel das empresas não deve ser bloquear esse movimento, mas canalizá-lo. Isso passa por criar guardrails, definir plataformas, organizar prioridades e transformar o uso espontâneo da IA em capacidade organizacional. 

Na prática, a evolução exige que as companhias atuem em três frentes ao mesmo tempo: implementar soluções que tragam ganhos rápidos, reformular fluxos de trabalho de ponta a ponta e criar modelos de negócio baseados em dados e agentes. Para Rogerio Nascimento, é nessa transição que a IA deixa de ser uma camada de produtividade individual e passa a influenciar estratégia, portfólio, processos e a gerar receita. 

Era agêntica e maturidade de IA 

A visão se conecta com a jornada da Senior, referência em software para gestão na América Latina, que vem avançando em inteligência artificial aplicada a sistemas de ERP e HCM. Entre as iniciativas estão a Sara (Senior Agent for Recommendation and Analysis) e a evolução da Sara Studio, plataforma que apoia empresas a criarem seus próprios agentes de IA sem a necessidade de conhecimento profundo em programação. 

O diferencial, segundo o especialista, estará na maturidade de dados. Em sistemas de gestão, esse ativo ganha peso por meio de históricos transacionais, jornadas de pessoas, estruturas hierárquicas, competências, papéis e processos operacionais. São esses fatores que formam a base para que a IA deixe de apenas responder a comandos e passe a apoiar decisões com mais autonomia e aderência ao negócio. 

Outro eixo da atuação será apoiar a mudança de mentalidade das lideranças. O head de IA da Senior acredita no conceito de “Executivo 10X”, inspirado na discussão sobre profissionais multiplicados por IA. A tese é que líderes preparados para a era agêntica deixam de concentrar energia na gestão de tarefas e passam a integrar redes de pessoas, dados e agentes para redesenhar fluxos de trabalho e criar caminhos de receita. 

“A liderança que vai se diferenciar na era agêntica é aquela que entende IA como uma nova lógica de operação, e não como uma ferramenta isolada. O Executivo 10X é quem define a intenção, cria os guardrails e mobiliza a organização para transformar inteligência artificial em decisão, produtividade e novas fontes de valor”, aponta. 

Com mais de 20 anos de experiência em negócios digitais, plataformas orientadas por dados e monetização de informação, Nascimento atuou por mais de uma década na Positivo Tecnologia, onde liderou projetos de IA, dados e novos negócios. Na Senior desde junho, está à frente da área de IA com atuação transversal entre produtos, serviços, precificação, processos, pessoas e geração de valor. 

Além da Senior, Rogerio Nascimento é membro do comitê Brasil Digital para Todos. Sua formação reúne o Stanford Digital Transformation Certificate, Data Monetization Strategy pelo MIT Sloan Executive Education e especializações em Tecnologia da Informação pela PUCPR e Marketing pela UFPR. Em 2026, também obteve certificação em Agentic AI pela DeepLearning.AI. 

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