“O litoral do Paraná reúne atributos para ampliar sua presença no turismo nacional, mas precisa transformar potencial em produtos, experiências e negócios”. A avaliação foi apresentada por Adonai Arruda Filho, diretor-geral da Serra Verde Express, durante o painel “Um olhar para o futuro do litoral paranaense”, que abriu as atividades do Conexão Litoral nesta quinta-feira (20), em Pontal do Paraná.
O painel reuniu ainda Claiton Armelin, diretor de produtos nacionais da CVC Corp, e Rafael Folmann, diretor da Viação Graciosa, com mediação de Patrícia Albanez, do Sebrae/PR. O evento, promovido pelo Sebrae/PR, reuniu representantes dos sete municípios do litoral paranaense em uma programação dedicada a negócios, conhecimento e integração, e registrou público recorde de 2,5 mil pessoas. A proposta foi estimular a atuação conjunta do poder público e da iniciativa privada e aproveitar o atual ciclo de investimentos para fortalecer a economia regional.
Durante o painel, Adonai destacou que o principal desafio do litoral paranaense não está apenas em atrair turistas, mas em criar condições para que eles permaneçam mais tempo, conheçam diferentes municípios e consumam uma variedade maior de produtos e serviços.
Para o executivo, a competitividade passa pela profissionalização das empresas, pelo uso estratégico da tecnologia e, principalmente, pela capacidade de trabalhar de forma integrada. “Ninguém faz nada sozinho, ninguém cresce sozinho. O turismo é feito de parceria, conectividade, infraestrutura e promoção”, destacou.
Tecnologia para transformar negócios
A tecnologia foi apontada como uma das ferramentas fundamentais para a profissionalização do setor. Segundo Adonai, existem soluções de diferentes custos e funcionalidades que podem ajudar empresas de todos os portes a melhorar processos, ampliar sua presença digital e chegar a novos mercados.
O executivo citou a experiência da Serra Verde Express na modernização de seu sistema de vendas como exemplo de transformação construída a partir da colaboração interna. “Quando nós unimos o ponto de cada um, juntamos na mesa, focando num objetivo, nós precisamos unir e modernizar o nosso sistema”, relatou.
A mudança permitiu ampliar a participação das vendas digitais da empresa e mostrou, na prática, como tecnologia e integração podem gerar resultados comerciais.
Oportunidades estão ao lado
Outro ponto destacado no painel foi a necessidade de o litoral aproveitar melhor os grandes fluxos turísticos que já chegam ao Paraná. Curitiba foi apresentada como uma importante cidade-âncora para a promoção dos destinos litorâneos. Neste ponto, Arruda Filho destacou o papel do trem turístico da Serra Verde Express, que, segundo estimativa apresentada, deve transportar aproximadamente 300 mil turistas ao litoral ao longo do ano.
“Muitos dessas pessoas descem, comem um barreado e vão embora. Que oportunidade a gente tem?”, questionou. A provocação está relacionada à necessidade de criar roteiros integrados que estimulem o visitante a permanecer mais tempo e circular por diferentes cidades.
A estratégia pode envolver gastronomia, natureza, cultura, hospedagem, experiências rurais, eventos e outros produtos capazes de complementar a viagem.
De atrativos a produtos turísticos
Durante a conversa, todos concordaram que o litoral já possui os elementos necessários para competir em um mercado maior: natureza, sol e praia, cultura, gastronomia e experiências ligadas à identidade regional. O próximo passo sugerido pelos participantes é transformar esses atributos em produtos estruturados, comercializáveis e conectados entre si.
“Tem turista para todo tipo de hospedagem: pousadas maiores, hotéis, acampamento. A gente precisa se preparar para vender”, completou o diretor da Serra Verde Express. Para ele, isso vale para empresas de todos os tamanhos. Pequenos negócios também podem fazer parte de uma estratégia regional, desde que estejam preparados para receber, divulgar e comercializar seus produtos.
União como estratégia
A integração entre os sete municípios foi um dos principais temas do painel. A lógica, segundo os participantes é simples: quanto mais estruturada e conectada estiver a cadeia turística, maior será a capacidade de gerar valor para todos os envolvidos.
“Ah, você vai ganhar mais do que eu? Não. Eu vou ganhar junto. Vamos crescer juntos. Vamos construir juntos”, provocou Arruda Filho, que finalizou sua participação com um alerta aos presentes: “O maior risco é não aproveitar a oportunidade agora. É amanhã não estar aqui.”