Sistema inovador combate barreira invisível nas salas de aula e garante equidade no acesso ao conteúdo pedagógico em materiais didáticos e avaliações
Uma revolução silenciosa está garantindo mais autonomia e equidade nas salas de aula brasileiras. A adoção da ColorADD — sistema internacional de código de cores que traduz cores em símbolos geométricos — desponta como uma solução prática e eficaz para eliminar barreiras invisíveis de aprendizagem. No Brasil, o sistema ganha força impulsionado por iniciativas pioneiras na educação básica, garantindo que estudantes com daltonismo acompanhem o conteúdo em igualdade de condições.
Estimativas baseadas em levantamentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de oito milhões de brasileiros convivem com alguma forma de daltonismo. A condição, de origem hereditária e sem cura, afeta principalmente homens — cerca de um a cada 12 —, mas também ocorre em mulheres (uma a cada 200). “Os casos mais comuns envolvem dificuldade para distinguir tons de vermelho e verde, mas também existem formas que afetam a percepção do azul e do amarelo”, explica o oftalmologista do Hospital São Marcelino Champagnat, Dhiogo Corrêa. O especialista ressalta que a maioria das pessoas com daltonismo enxerga cores, mas tem dificuldade para diferenciar combinações específicas, tornando essencial o suporte visual complementar.
Pioneirismo na educação brasileira
No Brasil, a Aprende Brasil Educação se consolida como referência ao incluir a ColorADD em seus materiais didáticos impressos e digitais, além das avaliações pedagógicas. A medida garante que estudantes de todo o país tenham acesso pleno e autônomo às atividades escolares. “Desde 2024, implementamos a ColorADD por entender que essa é uma forma eficaz de trazer mais equidade. Iniciativas assim permitem que todos os estudantes desenvolvam suas habilidades e talentos sem barreiras de aprendizagem”, explica a gerente editorial da Aprende Brasil Educação, Cristina Kerscher.
Tendência internacional e resolução em Portugal
A relevância da linguagem ColorADD reflete um movimento global de inclusão que ganha respaldo formal no exterior. Recentemente, a Assembleia da República Portuguesa publicou uma resolução recomendando ao Governo de Portugal a adoção sistemática da ColorADD nos exames nacionais. O movimento reforça como o modelo, já utilizado na prática pedagógica do Brasil pela Aprende Brasil Educação, alinha o país às melhores práticas internacionais de acessibilidade na educação pública.
Para Corrêa, um sistema como a ColorADD é de grande importância porque permite que a informação não dependa exclusivamente da cor. “Isso aumenta a autonomia, reduz erros e torna a informação mais acessível. Na prática, é uma solução simples, mas que pode fazer bastante diferença na inclusão, especialmente em ambientes como escolas, onde muitas atividades utilizam cores para transmitir informações importantes”, destaca.
Em alguns gráficos, mapas, ilustrações e em vários tipos de atividades tradicionalmente são usadas cores como critério para diferenciar informações. Em muitos casos, não há padrões, texturas ou símbolos de apoio, o que pode se tornar uma barreira de aprendizagem invisível para estudantes com alguma dificuldade na identificação das cores ou dos tons, mesmo quando o conteúdo pedagógico está correto. “Quando o material didático depende só da cor para passar uma informação, ele está excluindo parte das crianças e adolescentes. Fazer as adaptações que reduzem essas disparidades de aprendizagem não é um mero detalhe estético, é a garantia de que todos eles tenham a mesma chance de entender o que está sendo ensinado”, pontua Cristina.