Semana de quatro dias e flexibilidade: o futuro da jornada de trabalho já começou?
Especialista analisa tendências globais e impactos no Brasil
Reduzir a jornada de trabalho sem perda de produtividade é um debate que ganha força no mundo todo. Empresas na Europa, Estados Unidos e até na América Latina já testam modelos como a semana de quatro dias, enquanto no Brasil a CLT segue um modelo tradicional, mas com algumas aberturas para flexibilização. Com o avanço da tecnologia e novas formas de organização do trabalho, o futuro da jornada está cada vez mais em transformação.
A adoção da semana de quatro dias, por exemplo, já mostrou resultados positivos em países como Reino Unido, Portugal e Islândia. Em um estudo da 4 Day Week Global, 86% das empresas que testaram a redução da jornada mantiveram o modelo, relatando aumento na produtividade e bem-estar dos funcionários. No Brasil, essa tendência ainda é pouco difundida, mas ganha espaço conforme empresas buscam maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Além disso, mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nos últimos anos trouxeram mais flexibilidade na gestão da jornada. O teletrabalho, regulamentado em 2017, e o controle digital de ponto são avanços que permitem que as empresas adotem modelos mais flexíveis, mas sem perder a rastreabilidade das horas trabalhadas.
Para Maurício Campos, sócio da MarQ HR, empresa especializada em gestão de jornada de trabalho e desenvolvimento de talentos, a tecnologia tem papel fundamental nessa evolução. “As empresas que adotam soluções digitais conseguem garantir o cumprimento da legislação, ao mesmo tempo que oferecem mais flexibilidade aos colaboradores. A digitalização do ponto, por exemplo, permite acompanhar a jornada e entender padrões de produtividade, facilitando a adaptação a novos formatos de trabalho e auxiliando no plano de ação de desenvolvimento do time”, explica.
Ainda que o Brasil tenha desafios estruturais, o movimento global de flexibilização da jornada pode impactar a legislação local nos próximos anos. O debate sobre novas formas de trabalho deve seguir crescendo, impulsionado tanto por mudanças tecnológicas quanto pelas demandas dos trabalhadores por mais equilíbrio e qualidade de vida.
Tendências para o futuro da jornada de trabalho
Especialistas indicam que a flexibilização do trabalho deve continuar evoluindo nos próximos anos. Algumas das principais tendências incluem:
Semana de quatro dias: Empresas que adotam esse modelo geralmente não reduzem a carga horária semanal total, mas redistribuem as horas para quatro dias, garantindo produtividade sem perda de qualidade.
Foco em resultados, não em horas trabalhadas: O conceito de trabalho por entrega vem ganhando força, especialmente em setores criativos e de tecnologia. Isso desafia o modelo tradicional de controle rígido de jornada.
Automação e inteligência artificial na gestão de jornada: Softwares inteligentes ajudam a monitorar horas trabalhadas, prever padrões de produtividade e evitar sobrecarga, garantindo mais eficiência para empresas e colaboradores.
Adoção de benefícios ligados ao bem-estar: Empresas que buscam reduzir a jornada também têm investido em programas de saúde mental, apoio psicológico e incentivos para qualidade de vida, alinhados com a nova cultura de trabalho.