A curitibana Rafaela Araque Gurgel, 44, recebeu o diagnóstico de epilepsia aos dois anos de idade. No início, foi tratada com remédios e, aos 17 anos foi submetida à primeira cirurgia. “Houve redução das crises, mas não acabaram. Por isso realizei uma segunda cirurgia aos 22 anos. Fiquei um período de seis anos sem crises epilépticas, porém elas retornaram e passaram a atrapalhar a minha vida. Eu buscava uma solução mais efetiva”, relata. Em 2021, Rafaela passou por um procedimento cirúrgico para implante de VNS (Estimulação do Nervo Vago) no Hospital INC (Instituto de Neurologia e Cardiologia de Curitiba). “Estou há cinco anos sem crises. Minha vida mudou completamente. Hoje consigo fazer tudo o que eu não podia antes, como ir a shows, viajar sozinha. Ainda faço uso de medicação, mas não como antes”.
A terapia com VNS é um dos procedimentos cirúrgicos indicados para os casos de epilepsia refratária, ou seja, aqueles que não apresentam controle adequado com o uso de medicamentos. A epilepsia é uma doença que apresenta a prevalência de 2% na população, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atingindo todas as classes, gêneros e faixa etária. Cerca de 30% dos pacientes são refratários ao tratamento medicamentoso e podem se beneficiar da cirurgia, que deve ser determinada após investigação com exames como ressonância magnética e videoeletroencefalograma.
Além de VNS, outras intervenções podem ser realizadas para eliminar ou reduzir as crises, como a cirurgia para implantação de Estimulação Cerebral Profunda (DBS) e os procedimentos de lobectomia, calosotimia, lesionectomia e hemisferectomia. “Há técnicas minimamente invasivas e outras que envolvem a remoção de áreas específicas do cerébro responsáveis pela origem das crises. Com o tratamento correto, por meio do controle com medicamentos ou de cirurgia e aparelhos adequados, os pacientes podem levar uma vida normal”, explica o neurologista do Hospital INC Dr. Bruno Takeshita.
Com o objetivo de ampliar a conscientização sobre a epilepsia, seu tratamento e o enfrentamento do estigma associado à doença, todos os anos, o Hospital INC realiza uma ação de conscientização no Purple Day. Neste ano, a programação abordará as alternativas cirúrgicas para tratar a epilepsia em uma roda de conversa com especialistas. O evento é aberto ao público e será realizado no próximo sábado (28), a partir das 10h30, na filial do INC Imagem, localizada no centro médico do ParkShoppingBarigüi. A participação é gratuita.
INC lidera número de implantes de VNS na região Sul
Referência no diagnóstico e tratamento da epilepsia, o INC é um dos pioneiros na realização da terapia da Estimulação do Nervo Vago (VNS). O hospital já implantou mais de 150 aparelhos de VNS para tratar epilepsia, consolidando-se como o centro especializado com o maior número de neurocirurgias para este fim na região Sul. Esse tratamento é eficaz para reduzir em 60 a 70% das crises epilépticas. O VNS consiste na implantação de um marcapasso cerebral – um pequeno computador que ajuda a neuromodular a atividade cerebral – que pode levar ao controle total das crises.
Há 25 anos, o Hospital INC mantém a Unidade de Cirurgia de Epilepsia que se dedica a desenvolver estudos e o atendimento especializado, principalmente, de pacientes refratários ao tratamento convencional. Segundo o Dr. Takeshita, entre as pessoas com epilepsia que são resistentes aos medicamentos, ainda há aquelas que acabam apresentando um quadro mais grave, com perdas cognitivas e outras alterações neurológicas.
Técnicas mais complexas de estimulação cerebral ou do nervo vago já fazem parte do rol da ANS (Agência Nacional de Saúde) e são aprovadas pela Anvisa, com cobertura pelos planos de saúde.
SERVIÇO
Roda de conversa – Você sabia que a epilepsia pode ser tratada com cirurgia?
Data: 28 de março de 2026, às 10h30
Local: Filial INC Imagem – Centro Médico do ParkShoppingBarigüi – Piso L3 (R. Prof. Pedro Viriato Parigot Souza, 600)
Inscrição: gratuita, por meio do link eventosinc.com.br