Família Queirolo preserva técnicas, personagens e memórias construídas ao longo de mais de um século de dedicação à arte circense
A história do circo também é feita de histórias de família. De geração em geração, conhecimentos, personagens e formas de encantar o público são transmitidos, mantendo viva uma tradição que atravessa décadas. No Paraná, a Família Queirolo representa uma dessas trajetórias, marcada pela dedicação ao circo-teatro e pela preservação da cultura circense.
Com uma história iniciada em 1917, a Família Queirolo construiu sua trajetória artística antes mesmo de se estabelecer no Paraná, onde consolidou uma relação de 80 anos com o Estado. Ao longo desse período, tornou-se referência na manutenção do circo de lona e de uma linguagem artística baseada na proximidade com o público.
O projeto “Irmãos Queirolo – 80 anos de Tradição Circense no Paraná” nasceu justamente com o objetivo de celebrar esse legado e compartilhar essa memória com novas gerações, levando apresentações gratuitas para estudantes e comunidades paranaenses.
Dentro da tradição circense, muitos aprendizados acontecem na prática: observando os mais experientes, acompanhando os espetáculos e participando da rotina do circo desde cedo. Mais do que técnicas artísticas, esse processo transmite valores, histórias e a identidade de uma família dedicada a manter essa arte viva.
Para Marilene Lopes Queirolo Buch, sócia administrativa da Queirolo e Buch LTDA, diretora de Produção e chefe de Camarim do projeto, fazer parte dessa história significa cuidar de um legado que envolve muitas pessoas: “Uma tradição só continua viva quando existe cuidado e dedicação em cada etapa. O nosso trabalho é preservar tudo aquilo que recebemos das gerações anteriores e, ao mesmo tempo, apresentar essa história para novos públicos.”
Segundo Paulo Buch Neto, integrante da família, palhaço e diretor de cena do projeto, a transmissão do conhecimento é uma característica única da vida circense: “No circo, a gente aprende vivendo. Muitas coisas passam pelo olhar, pela convivência e pela experiência ao lado da família. Cada geração acrescenta algo novo, mas sempre respeitando a essência daquilo que veio antes.”
Além das apresentações, a Família Queirolo também preserva objetos, figurinos e elementos que ajudam a contar essa trajetória, mantendo viva a memória de diferentes épocas do circo. A história da família representa não apenas uma carreira artística, mas uma contribuição para a cultura paranaense.
Realizado por meio do Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura (PROFICE), via Secretaria de Estado da Cultura, do Governo do Estado do Paraná, e com apoio da Copel, o projeto reforça a importância de valorizar artistas, histórias e saberes que fazem parte da identidade cultural do Paraná.
Sobre o Circo Irmãos Queirolo
Com mais de um século de história, os Irmãos Queirolo representam uma das famílias mais tradicionais do circo brasileiro. A trajetória começou com José Queirolo e Petrona Salas, artistas que uniram música, teatro e acrobacia, dando origem a uma linhagem de artistas que percorreu palcos da Europa, Estados Unidos e América Latina antes de consolidar seu legado no Brasil. Em 1917, a família inaugurou o Circo dos Irmãos Queirolo no Rio de Janeiro, iniciando uma história marcada pela inovação, talento e dedicação à arte circense.
Pioneiros em diferentes linguagens, os Queirolo criaram a Banda do Circo Irmãos Queirolo (que se tornou Jazz Queirolo e depois Bandinha dos Palhaços), levaram ao público grandes espetáculos de circo-teatro e foram responsáveis pelo primeiro programa ao vivo da televisão paranaense, o “Cirquinho Canal 6”. Em Curitiba, construíram uma forte relação cultural com a cidade, mantendo viva a tradição por meio de apresentações, projetos educativos e ações sociais. Hoje, a família segue preservando esse legado por meio da Queirolo e Buch LTDA, mantendo a magia do circo viva para novas gerações.






