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Financiamento de caminhões cresce 8,1% até julho, puxado pelos seminovos

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Operações com caminhões usados avançam 10,6% no acumulado do ano, enquanto financiamentos de modelos novos crescem 4,9%

Mesmo em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o financiamento de caminhões cresceu 8,1% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da B3. Ao todo, foram 156.035 operações de crédito, considerando novos e usados.

O crescimento, porém, não foi uniforme entre as categorias. Entre os usados, foram 87.939 operações de financiamento no período, alta de 10,6% em relação aos mesmos meses de 2025. Já entre os novos, foram 68.096 operações, avanço de 4,9%, segundo levantamento da B3.

Esse movimento acontece em um mercado que enfrenta desafios. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) reduziu, em julho, sua projeção de licenciamentos de caminhões para 2026, que passou a 106,7 mil unidades no ano. Entre os fatores considerados pela entidade estão os juros elevados, as condições menos favoráveis para o agronegócio e os custos ainda pressionados.

Na avaliação do gerente comercial da Servopa Caminhões, Luis Spezia, esse ambiente leva o cliente a analisar a compra com mais cautela e a considerar diferentes aspectos da operação. “Estamos vendo um cliente mais racional e mais atento ao custo da operação. Ele não olha apenas para o valor do caminhão ou para a parcela do financiamento, mas também para fatores como produtividade, consumo, manutenção e disponibilidade. Quando essa conta fecha, mesmo em um cenário de juros altos, a renovação da frota deixa de ser adiada e passa a ser vista como investimento”, afirma.

Para transportadoras e empresas que dependem de veículos pesados, essa avaliação se torna ainda mais relevante diante da necessidade de equilibrar a renovação da frota com a preservação do caixa. Nesse contexto, o financiamento  permite substituir modelos mais antigos sem exigir o desembolso de todo o valor de uma só vez.

“Para uma empresa, a decisão de renovar um caminhão passa por uma análise que vai muito além da parcela. É preciso colocar na conta o consumo de combustível, os custos de manutenção, o tempo que o veículo fica parado e a produtividade que ele consegue entregar. Por isso, o financiamento pode ser uma ferramenta importante para antecipar essa troca quando o ganho de eficiência compensa o custo do investimento”, explica Spezia.

A diferença no ritmo de crescimento entre caminhões novos e usados evidencia o espaço dos seminovos entre as opções disponíveis às empresas. “O seminovo pode ser uma alternativa interessante principalmente para empresas que precisam equilibrar renovação e capacidade de investimento. Em muitos casos, é possível substituir um veículo mais antigo por outro mais eficiente sem assumir o mesmo nível de investimento exigido para a aquisição de um caminhão zero-quilômetro”, destaca o executivo do Grupo Servopa.

Para as empresas, o cenário reforça a importância de considerar os impactos financeiros e operacionais antes de optar pela troca dos veículos. “A renovação da frota é uma decisão de negócio. Quando a empresa consegue colocar na conta o investimento, o custo financeiro e os ganhos de eficiência que o novo veículo pode proporcionar, ela passa a ter mais elementos para avaliar se é o momento de fazer essa mudança”, finaliza Spezia.

Sobre o Grupo Servopa

Há 70 anos atuando no mercado, o Grupo Servopa se consolidou como um dos principais grupos do setor automotivo no Brasil, representando 15 marcas de renome como Volkswagen, Audi, Hyundai, BYD, GAC, Honda, Peugeot, Volvo e Harley-Davidson. Com sede em Curitiba (PR), reúne operações em concessionárias de veículos, consórcios e serviços relacionados, com 52 lojas distribuídas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Opinião: A herança tóxica da sociedade descartável

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*Taiane Camargo e Alberto Evangelista

Durante décadas, a imagem mais conhecida da poluição plástica foi a de tartarugas presas em redes abandonadas ou aves marinhas alimentando seus filhotes com tampas de garrafa. Essas cenas continuam chocantes, mas talvez não sejam mais as mais preocupantes. O problema mudou de escala. E mudou de endereço.

Hoje, a grande questão não é apenas o plástico que vemos. É o plástico que não vemos. Os microplásticos — partículas menores que 5 milímetros resultantes da degradação de embalagens, roupas sintéticas, pneus, tintas e inúmeros produtos do cotidiano — já ultrapassaram as fronteiras dos oceanos, dos rios e dos solos. Eles chegaram ao interior do corpo humano.

A descoberta mais inquietante dos últimos anos não ocorreu em uma praia poluída nem em uma área industrial. Ela aconteceu dentro de laboratórios que analisavam tecidos humanos. Em 2024, pesquisadores da Universidade do Novo México encontraram microplásticos em todas as 62 placentas humanas analisadas. O dado é particularmente preocupante porque a placenta é um órgão temporário, formado durante a gestação, o que sugere uma exposição contínua e crescente da população.

No mesmo período, estudos detectaram microplásticos em sangue humano, pulmões, fígado, rins e cordões umbilicais. Mais recentemente, pesquisadores identificaram concentrações ainda maiores no cérebro humano, em níveis superiores aos encontrados em outros órgãos analisados. Além disso, os estudos indicam um aumento significativo dessas concentrações entre 2016 e 2024.

A imagem é perturbadora. Por muito tempo, acreditou-se que o plástico era um problema ambiental. Hoje, ele se apresenta também como uma questão de saúde pública.

Acontece que os microplásticos não surgem espontaneamente. Eles são o estágio final de um modelo de consumo baseado no descarte. Uma garrafa plástica abandonada em um terreno baldio não desaparece. Ela se fragmenta. Uma sacola carregada pelo vento não deixa de existir. Ela se transforma em milhares de partículas microscópicas. Um pneu desgastado pelo atrito com o asfalto libera partículas que podem ser transportadas pela chuva, pelo ar e pelos sistemas de drenagem urbana.

Esses fragmentos acabam chegando aos rios, lagos e oceanos. Ali são ingeridos por organismos aquáticos e entram na cadeia alimentar. No litoral do Paraná, uma pesquisa conduzida pela oceanógrafa Fernanda Possatto identificou microplásticos em 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados da região. Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentavam partículas no trato digestório.

O dado não significa que o consumo desses peixes represente automaticamente um risco imediato à saúde humana. A própria pesquisadora faz essa ressalva. Porém, ele evidencia um fenômeno mais amplo: o plástico já está circulando pelos mesmos sistemas ecológicos que sustentam nossa alimentação.

E não apenas nos pescados. Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Em outras palavras: evitar completamente a exposição tornou-se praticamente impossível.

Uma das maiores dificuldades desse debate é que a ciência ainda está construindo respostas. Não existe, até o momento, consenso definitivo sobre quais concentrações representam risco direto à saúde humana, nem sobre os efeitos acumulativos ao longo de décadas de exposição.

Mas a ausência de respostas definitivas não significa ausência de riscos. Diversos estudos experimentais sugerem que microplásticos e nanoplásticos podem desencadear processos inflamatórios, estresse oxidativo, alterações metabólicas e danos celulares. Também cresce a preocupação com compostos químicos associados aos plásticos, como ftalatos e bisfenóis, conhecidos por interferirem no funcionamento hormonal do organismo.

Há ainda um agravante frequentemente ignorado: os microplásticos funcionam como uma espécie de “ônibus molecular”. Durante sua trajetória no ambiente, podem adsorver metais pesados, pesticidas, compostos tóxicos e microrganismos patogênicos. Quando ingeridos por organismos vivos, transportam consigo esses contaminantes. É como se o problema não fosse apenas a partícula plástica, mas também a carga invisível que ela carrega.

Ao mesmo tempo em que nunca houve tanta preocupação com alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, nunca produzimos tanto plástico. Segundo estimativas internacionais, a produção mundial de plástico supera atualmente 400 milhões de toneladas por ano e continua crescendo. Grande parte desse volume é destinada a embalagens de uso único que permanecem no ambiente por décadas ou séculos.

É como se estivéssemos tentando cuidar do corpo enquanto ampliamos continuamente a contaminação do ambiente de que dependemos para viver. A natureza não possui um sistema capaz de processar rapidamente essa avalanche de polímeros sintéticos. O resultado é previsível: eles se acumulam. Primeiro, nos rios; depois, nos oceanos; e, por fim, nos alimentos. E agora, em nós.

A boa notícia é que existem soluções. Tecnologias de tratamento de água, sistemas de filtração mais eficientes, melhorias nos processos de reciclagem, desenvolvimento de biopolímeros e embalagens biodegradáveis representam avanços importantes. Mas nenhuma inovação tecnológica será suficiente se a cultura do descarte permanecer inalterada.

Reduzir o consumo de plásticos de uso único continua sendo a medida mais eficaz. Optar por recipientes reutilizáveis, evitar aquecer alimentos em embalagens plásticas, ampliar programas de coleta seletiva e exigir políticas públicas mais rigorosas são ações que parecem pequenas individualmente, mas que se tornam relevantes quando adotadas em escala social.

A história da saúde pública mostra que as grandes transformações costumam ocorrer antes da certeza absoluta. Foi assim com o tabagismo, com o amianto, com o chumbo na gasolina. Primeiro surgem os sinais. Depois vêm as evidências acumuladas. Por fim, a sociedade reconhece que ignorou, por tempo demais, algo que estava diante de seus olhos.

No caso dos microplásticos, talvez estejamos exatamente nesse momento. A pergunta já não é se eles chegaram ao ambiente, mas quanto tempo levaremos para reagir ao fato de que eles chegaram ao nosso próprio organismo.

*Taiane Mota Camargo é doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e pesquisadora do Biopark. Alberto Gonçalves Evangelista é doutor em Ciência Animal e pesquisador do Biopark.

Imprensa vira ativo digital

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Além da reputação, publicações jornalísticas passam a alimentar marketing, buscas e a construção do histórico online de empresas e profissionais

A transformação digital está mudando até mesmo um dos serviços mais tradicionais da comunicação corporativa. Se durante décadas a assessoria de imprensa teve como principal objetivo conquistar reputação e visibilidade por meio de jornais, revistas, rádio e televisão, hoje uma publicação pode continuar gerando valor muito depois de deixar de ser notícia. Portais eletrônicos, mecanismos de busca, hiperlinks e, mais recentemente, a Inteligência Artificial estão fazendo com que a presença na imprensa também se transforme em um patrimônio digital para empresas e profissionais.

A mudança acompanha o próprio comportamento do público. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, aponta que 84% da população brasileira tem acesso à internet e que o número de veículos de mídia online cresceu em 2025. O levantamento mostra ainda que a mídia digital respondeu por 40,6% do investimento publicitário no Brasil, praticamente empatada com a televisão, com 41,3%. Paralelamente, uma pesquisa da EY divulgada em 2026 apontou que 94% dos brasileiros entrevistados haviam utilizado Inteligência Artificial nos seis meses anteriores. Para a jornalista e estrategista de comunicação Verônica Pacheco, CEO da Toda Comunicação, esse cenário exige uma nova compreensão sobre o papel da assessoria de imprensa.

“A reputação continua sendo a nossa principal entrega, mas hoje uma matéria não termina quando é publicada. Ela pode virar conteúdo para as redes sociais, argumento para o departamento comercial, referência no Google e parte do histórico digital daquela marca. A assessoria de imprensa passou a construir ativos que continuam trabalhando depois que a notícia deixa de ser novidade”, afirma Verônica.

Na prática, a mudança está relacionada principalmente à multiplicação dos canais digitais. Uma entrevista que antes poderia ter seu impacto concentrado no dia em que um jornal circulava ou um programa era transmitido agora pode permanecer disponível por anos em um portal. Quando essas publicações trazem o nome do profissional, sua especialidade, empresa, fotografia e hiperlink para o site oficial, passam a formar uma rede de referências digitais sobre aquela marca.

Segundo Verônica, é justamente nesse ponto que assessoria de imprensa, marketing e posicionamento digital começam a se aproximar. “São três entregas que se complementam. A imprensa constrói reputação porque existe a validação de um terceiro. A matéria gera conteúdo de qualidade que o marketing pode reaproveitar. E, quando essas publicações permanecem online, começamos a construir um histórico digital consistente sobre aquele profissional ou empresa”, explica.

Os hiperlinks inseridos editorialmente nas matérias também podem contribuir para a estratégia de SEO, embora seu impacto dependa de fatores como autoridade do domínio, atributos técnicos do link e relevância do conteúdo. Para a estrategista, entretanto, o valor está no conjunto. Em vez de pensar somente em uma grande exposição isolada, a comunicação passa a buscar recorrência, diversidade de fontes e presença qualificada ao longo do tempo.

A Inteligência Artificial acrescentou uma nova camada a essa transformação. À medida que ferramentas de IA passam a fazer parte da maneira como consumidores pesquisam produtos, serviços e profissionais, aumenta a importância de existirem informações públicas, coerentes e qualificadas sobre uma marca na internet. Verônica ressalta, porém, que nenhuma assessoria pode garantir que determinada plataforma recomendará um cliente. “Não se trata de manipular a Inteligência Artificial ou prometer uma indicação. Trata-se de construir presença. Se uma empresa quer ser reconhecida no ambiente digital, precisa existir digitalmente de maneira consistente, em fontes próprias e também em fontes independentes. A imprensa tem um papel importante nessa construção”, afirma.

À frente da Toda Comunicação, que completou recentemente 23 anos, Verônica diz que acompanhar essa transformação passou a fazer parte da própria evolução da agência. A empresa tem intensificado o trabalho de distribuição online e a busca por hiperlinks, sem abandonar a conquista de espaços em veículos tradicionais e de grande alcance. “Em comunicação, experiência não pode significar fazer durante 20 anos exatamente a mesma coisa. O mercado muda, a tecnologia muda e o comportamento das pessoas muda muito rápido. A maturidade está em preservar aquilo que continua valioso, como credibilidade e relacionamento com jornalistas, e incorporar as ferramentas e estratégias que fazem sentido para o presente”, destaca.

Para ela, o futuro da assessoria de imprensa está justamente na integração. Relações públicas, conteúdo, SEO, redes sociais, imprensa e Inteligência Artificial não devem ser tratados como universos completamente separados. “Uma boa reputação facilita o trabalho do marketing e do comercial porque confiança vem antes da venda. Nosso desafio agora é fazer com que cada espaço conquistado na imprensa tenha uma vida muito maior: gere autoridade no presente e ajude a construir o patrimônio digital que a marca levará para o futuro”, conclui.

Serviço: Toda Comunicação

Verônica Pacheco

Jornalista e Estrategista de Comunicação

@agenciatodacomunicacao

redacao@todacomunicacao.com.br

www.todacomunicacao.com.br

Hospital São Marcelino Champagnat amplia atendimento ortopédico para 24 horas

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Serviço amplia o acesso à avaliação especializada para casos de urgência e emergência, como fraturas, luxações, entorses e traumas

O Hospital São Marcelino Champagnat ampliou o horário do atendimento ortopédico no Pronto Atendimento, que passa a funcionar 24 horas por dia, todos os dias, inclusive aos finais de semana e feriados. Com a ampliação do horário, o serviço oferece atendimento especializado para casos de urgência e emergência ortopédica em qualquer horário. A avaliação especializada é importante após quedas, acidentes e outros traumas que possam resultar em fraturas, luxações, entorses ou outras lesões. Dor intensa, inchaço, deformidade ou dificuldade para movimentar um membro ou apoiar o peso do corpo são alguns dos sinais que merecem atenção.

“Uma avaliação rápida permite identificar a gravidade da lesão, controlar a dor e iniciar o tratamento adequado o quanto antes, reduzindo o risco de complicações e favorecendo a recuperação”, explica o coordenador do plantão de Ortopedia do Hospital São Marcelino Champagnat, Francisco José Zaniolo.

O atendimento integra a estrutura do Centro de Ortopedia e Traumatologia da instituição, que atua no diagnóstico e tratamento de doenças do sistema osteomuscular, deformidades, fraturas e outros quadros ortopédicos, tanto crônicos quanto agudos. A equipe reúne ortopedistas de diferentes subespecialidades e está preparada para atender desde os casos mais simples até casos complexos que demandem atendimento especializado.

Atendimento integrado

O paciente que chega ao Pronto Atendimento passa pelo acolhimento e por uma avaliação inicial. Na sequência, é realizada a avaliação  clínica pelo ortopedista. Quando necessário, são solicitados exames de imagem, como radiografia e tomografia, além de outros exames complementares. A partir dos resultados, é definida a conduta mais adequada para cada caso, que pode incluir medicação para controle da dor, imobilização, procedimentos realizados no próprio Pronto Atendimento ou encaminhamento para cirurgia.

A estrutura do hospital permite integrar avaliação médica, exames e tratamento em um mesmo local. Quando necessário, o paciente também pode ser encaminhado para continuidade do tratamento com as equipes das subespecialidades ortopédicas do hospital.

Quando procurar atendimento

Nem toda dor ou lesão ortopédica exige atendimento de emergência. No entanto, após uma queda, acidente ou outro trauma, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação médica:

  • Deformidade visível no membro ou articulação
  • Dor intensa e persistente
  • Inchaço significativo
  • Dificuldade ou incapacidade de movimentar o membro
  • Impossibilidade de apoiar o peso do corpo

Serviço

Atendimento Ortopédico do Hospital São Marcelino ChampagnatLocal: Pronto Atendimento do Centro de Ortopedia e Traumatologia
Endereço: Av. Presidente Affonso Camargo, 1399 – Cristo Rei
Horário: 24 horas, todos os dias, incluindo finais de semana e feriados
Entrada: Acesso vermelho, sinalizado com a placa “Pronto Atendimento”

Saber não basta

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Relatos de profissionais mostram um desafio comum entre líderes: transformar conhecimento, planejamento e intenção em comportamento capaz de produzir resultados

Empresários, gestores e profissionais nunca tiveram tanto acesso a conhecimento, tecnologia e ferramentas de gestão. Inteligência artificial, cursos, mentorias, livros e metodologias ajudam a mostrar caminhos, mas existe uma distância que nenhuma informação consegue percorrer sozinha: aquela entre saber o que precisa ser feito e efetivamente fazer. Para o terapeuta comportamental de líderes Saulo Coelho, é justamente nesse espaço que muitos profissionais estão perdendo produtividade, oportunidades e resultados.

“O mercado ensina muito sobre o que fazer, mas pouco sobre por que, mesmo sabendo o que fazer, continuamos repetindo comportamentos que nos afastam do resultado. A motivação inicia, a intenção direciona, mas é o comportamento que decide. Um líder pode conhecer todas as técnicas de gestão e ainda assim procrastinar uma decisão, evitar uma conversa difícil ou repetir um padrão que prejudica a equipe”, afirma Saulo.

A constatação ganhou força durante uma formação comportamental conduzida pelo profissional. Pessoas de diferentes áreas e trajetórias relataram dificuldades semelhantes: autossabotagem, falta de consistência, perfeccionismo, dificuldade de transformar objetivos em ação e repetição de comportamentos que elas próprias já reconheciam como prejudiciais. Mais do que o conteúdo aprendido, os relatos apontaram para um fenômeno comum: muitas delas já sabiam o que precisava mudar. A dificuldade estava em sustentar um comportamento diferente.

Foi o caso de Miriam Torres. Ela conta que durante muito tempo viveu a frustração de ter clareza sobre aquilo que deveria fazer, começar uma mudança e, pouco depois, retornar ao mesmo padrão. “O maior aprendizado que vou levar para a vida é que clareza e motivação, sozinhas, não transformam ninguém. O que realmente muda a nossa vida é o comportamento. Se eu não mudar a forma como ajo todos os dias, nada muda”, relata.

A experiência também apareceu de outra forma no depoimento da profissional Kamila Ziliotto. Ela identificou um pensamento recorrente, “ou faz tudo ou não faz nada”, que acabava impedindo sua evolução, especialmente no ambiente profissional. Ao perceber o padrão, passou a valorizar uma ação concreta em lugar da espera pelo cenário ideal. Já o estrategista comercial e engenheiro de Inteligência Artificial Márcio Zimermann descreveu a formação como “transformadora” e destacou a possibilidade de converter frustração, gatilhos, autossabotagem e falta de clareza em movimento. Para ele, as ferramentas aprendidas passaram a ser utilizadas no trabalho, com clientes e na própria vida.

Segundo Saulo, esses relatos ajudam a explicar por que profissionais tecnicamente preparados podem continuar travados diante de decisões aparentemente simples. “Conhecimento não garante execução. Às vezes, a pessoa sabe exatamente onde quer chegar, mas tenta construir a mudança dependendo de motivação ou de uma transformação enorme de uma só vez. Quando trabalhamos o comportamento possível hoje, diminuímos a distância entre intenção e resultado”, explica.

Uma das estratégias utilizadas por ele é o chamado Comportamento Mínimo Viável, CMV, baseado na definição de uma ação pequena o suficiente para ser executada e consistente o bastante para iniciar uma mudança. A lógica confronta a cultura das grandes promessas e das transformações imediatas. Em vez de esperar motivação, condições perfeitas ou uma mudança radical, a proposta é identificar qual comportamento pode ser realizado agora e repetido até que produza evolução.

Para Saulo, essa discussão se torna ainda mais relevante em um ambiente empresarial dominado pela Inteligência Artificial. “A tecnologia pode entregar informação, organizar dados, sugerir estratégias e acelerar processos em segundos. Mas ela não entra em uma reunião difícil pelo líder, não dá o feedback que ele está adiando e não executa a decisão pessoal que ele sabe que precisa tomar. Quanto mais tecnologia tivermos à disposição, mais evidente ficará o valor do comportamento humano”, conclui.

Serviço: Saulo Coelho

Terapeuta Comportamental de Líderes

@saulocoelhopontocom

Atendimento vira fator de sobrevivência no varejo

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Levantamento da ROX com 3,5 mil avaliações de cliente oculto mostra que 61% das marcas começam em níveis preocupantes de atendimento e aponta impacto da melhora da experiência sobre vendas e recompra

Em um cenário de pressão sobre o varejo brasileiro, um problema que muitas empresas ainda tratam como subjetivo pode estar afetando diretamente vendas, recompra e fidelização: o atendimento. Levantamento da ROX Consultoria, realizado a partir de 3.500 avaliações de cliente oculto nos últimos 12 meses, mostra que 61% das marcas avaliadas chegam à primeira análise apresentando falhas relevantes na experiência oferecida ao consumidor.

A empresa classifica os resultados das avaliações em quatro níveis de maturidade: Zona Crítica, Zona Atenção, Zona Neutra e Zona ROX, sigla para Return on Experience, conceito utilizado pela consultoria para relacionar a qualidade da experiência proporcionada ao cliente aos resultados do negócio. Na primeira avaliação, antes de qualquer processo de ajuste, 28% das marcas analisadas estão na Zona Crítica e 33% na Zona Atenção. Apenas 9% já começam na Zona ROX.

Para Gustavo Henrique Campos Nunes, da ROX Consultoria, o problema é que muitas empresas descobrem uma deterioração na experiência somente depois que ela começa a aparecer nos indicadores financeiros. “O cliente não avisa que decidiu não voltar. Ele simplesmente deixa de comprar. Quando uma empresa olha apenas para faturamento, pode perceber o problema tarde demais. O cliente oculto permite enxergar o que está acontecendo na operação antes que a perda de experiência se transforme definitivamente em perda de receita”, explica.

Os dados da ROX mostram também que atendimento não é um indicador imutável. Entre empresas submetidas a pelo menos três ciclos de avaliação, retorno e ajustes, realizados ao longo de aproximadamente seis meses, a participação das marcas nas zonas Crítica e Atenção cai de 61% para 22%. Ao mesmo tempo, a parcela que alcança a Zona ROX passa dos 9% iniciais para 31%, mais de três vezes o patamar registrado na primeira avaliação.

A transformação, entretanto, não acontece de uma semana para outra. Segundo o levantamento, uma marca leva, em média, três a quatro meses de trabalho contínuo para deixar a Zona Crítica. Para Gustavo, esse período mostra por que avaliações pontuais dificilmente conseguem mudar uma cultura de atendimento. “Medir uma vez produz uma fotografia. O que transforma a operação é o ciclo: medir, identificar a falha, devolver a informação para a gestão, corrigir, treinar e medir novamente. Quando isso se torna recorrente, a empresa consegue verificar se o comportamento realmente mudou na ponta”, afirma.

Melhora chega ao caixa

Um dos resultados mais relevantes do levantamento aparece quando a evolução do atendimento é comparada aos indicadores comerciais. Entre clientes que saíram da Zona Atenção e chegaram à Zona ROX, a consultoria registrou aumento médio de 23% no ticket médio e de 31% na taxa de recompra, dentro dos quatro meses seguintes à mudança de classificação.

No grupo de empresas em que o faturamento por loja também era acompanhado, houve crescimento médio de 14%, sem alteração relevante de preço ou mix de produtos durante o período analisado.

“Existe uma tendência de associar crescimento de venda quase exclusivamente a preço, promoção, mídia ou aquisição de novos clientes. Os nossos dados mostram outra variável que precisa entrar nessa discussão: o que acontece quando o consumidor já está dentro da loja, falando com o vendedor ou tentando ser atendido por um canal digital. Há receita sendo conquistada ou perdida justamente nesse momento”, observa Gustavo.

A percepção do consumidor acompanha essa evolução. Entre as empresas da base da ROX que monitoram continuamente o NPS, a média antes do início do programa de cliente oculto era de 32 pontos. Depois de três ciclos completos de avaliação e correção, passou para 58 pontos.

Venda adicional é maior falha

O levantamento também identificou onde estão alguns dos principais gargalos do atendimento. O item com maior índice de reprovação é a oferta de produtos ou serviços adicionais durante a venda, ausente ou inadequada em 72% dos atendimentos avaliados. Logo depois aparece o follow-up de pós-venda, com falhas em 67% das avaliações. A abordagem inicial do vendedor demonstrando interesse pelo consumidor apresenta índice de falha de 59%, enquanto o tempo de resposta nos canais digitais é inadequado em 54% dos casos analisados.

Para Gustavo, os números revelam oportunidades que muitas vezes independem de grandes investimentos. “Estamos falando de situações muito básicas da jornada: receber bem, demonstrar interesse, entender a necessidade, oferecer algo complementar quando fizer sentido e voltar a falar com aquele consumidor depois da compra. Muitas empresas investem fortemente para trazer uma pessoa até a marca e perdem oportunidades justamente depois que ela chegou”, avalia.

Desempenho varia por setor

A análise das 3.500 avaliações também encontrou diferenças importantes entre segmentos. Farmácias e produtos de saúde apresentam a maior aderência média aos critérios avaliados, com 68%, seguidos pelo setor de alimentação, com 61%. O segmento de moda registra 54%, enquanto eletroeletrônicos aparece com 49% de aderência média ao checklist, o menor desempenho entre os setores destacados no levantamento.

Segundo Gustavo, mais importante do que comparar empresas de segmentos diferentes é acompanhar a evolução da própria operação. Uma rede pode descobrir, por exemplo, unidades com comportamentos completamente distintos mesmo seguindo os mesmos processos, treinamentos e padrões definidos pela matriz.

“Uma marca não é aquilo que está escrito no manual de atendimento. Para o consumidor, a marca é aquilo que acontece quando ele entra na loja, manda uma mensagem, pede ajuda ou tem um problema. Se a promessa da empresa não chega à ponta, existe uma distância entre a marca que a gestão acredita ter construído e aquela que o cliente realmente experimenta”, afirma.

Para o executivo, em um ambiente de maior pressão sobre margens e necessidade de retenção, medir atendimento deixa de ser apenas uma ferramenta de controle de qualidade. “Em momentos difíceis, conquistar novos clientes tende a ficar ainda mais caro. Fazer quem já entrou comprar melhor, voltar e recomendar a marca passa a ter um peso enorme. Atendimento não resolve sozinho uma crise empresarial, mas ignorar o que acontece na experiência do cliente significa administrar uma parte importante do negócio sem dados”, conclui Gustavo Henrique Campos Nunes.

Serviço: ROX Consultoria – Cliente oculto

Gustavo Nunes

Gestor Comercial

41 98409-3226

@roxconsultoria

contato@roxconsultoria.com.br

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Estresse sob controle

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No Dia de Combate ao Estresse, neurocientista explica por que essa resposta é necessária e como impedir que o estado de alerta permanente prejudique desempenho e qualidade de vida

O coração acelera, a atenção aumenta, o organismo entra em estado de prontidão e, por alguns instantes, parece que todos os sentidos estão voltados para resolver uma situação. Nem sempre isso é ruim. O estresse faz parte dos mecanismos naturais que ajudaram o ser humano a enfrentar ameaças e continua tendo uma função importante na vida moderna. O problema começa quando aquilo que deveria ser uma resposta pontual transforma-se praticamente em um modo permanente de funcionamento.

No Dia de Combate ao Estresse, lembrado em 23 de setembro, o neurocientista e hipnólogo Renê Skaraboto, terapeuta de alta performance, do Instituto e Clínica Hipnose para Todos, em Curitiba, chama atenção para uma mudança de perspectiva: o objetivo não deve ser viver sem nenhum estresse, mas desenvolver recursos para que o cérebro saiba entrar e, principalmente, sair do estado de alerta. “O estresse não é necessariamente nosso inimigo. Em determinados momentos, ele aumenta nossa prontidão para agir, enfrentar desafios e buscar soluções. O problema é quando o cérebro passa a interpretar quase tudo como ameaça e a pessoa vive como se precisasse estar pronta para uma batalha o tempo inteiro”, explica.

A Organização Mundial da Saúde define o estresse como uma resposta humana natural diante de situações difíceis, desafios e ameaças e ressalta que todas as pessoas experimentam algum grau dele. Em pequenas doses, pode inclusive ajudar na realização das atividades cotidianas. Quando excessivo, entretanto, pode afetar mente e corpo, dificultando o relaxamento e a concentração e favorecendo irritabilidade, alterações do sono, dores de cabeça, desconfortos físicos e mudanças no apetite.

Os números mostram que aprender a lidar com essa resposta se tornou um desafio contemporâneo. Pesquisa Ipsos Health Service 2025 apontou que 31% dos brasileiros afirmaram ter se sentido, no ano anterior, estressados a ponto de acreditar que não conseguiriam lidar com as situações enfrentadas. Outros 39% disseram ter experimentado essa sensação diversas vezes. Entre os mais jovens, o tema também chama atenção: 37% dos integrantes da Geração Z citaram o estresse como um dos principais problemas de saúde, contra 25% entre os Boomers.

Segundo Skaraboto, uma das diferenças importantes está entre o estresse que mobiliza e aquele que começa a consumir recursos físicos e emocionais. Um prazo, uma apresentação importante, uma competição ou um novo desafio profissional podem gerar tensão e, ao mesmo tempo, estimular foco e ação. Já a exposição contínua a preocupações, cobranças, conflitos e sensação de ameaça pode manter o organismo ativado mesmo quando não existe uma emergência real. “Alta performance não significa estar acelerado o tempo inteiro. Performance sustentável é conseguir mobilizar energia quando ela é necessária e recuperar-se depois. Uma mente permanentemente em alerta não necessariamente produz mais, muitas vezes ela apenas se desgasta mais”, afirma.

Algumas atitudes cotidianas ajudam a regular essa resposta. A primeira é movimentar o corpo, incorporando atividade física à rotina. A segunda é proteger o sono, mantendo horários mais regulares e criando um período de desaceleração antes de dormir. A terceira é introduzir pequenas pausas conscientes ao longo do dia, especialmente entre atividades de alta exigência. A quarta é preservar vínculos e momentos de convivência, evitando transformar produtividade em isolamento. E a quinta é aprender a reconhecer os próprios gatilhos, percebendo quais situações, pensamentos e padrões mantêm o organismo constantemente em estado de alerta.

Para o neurocientista, essa percepção é especialmente importante porque nem sempre o excesso de estresse aparece como uma crise evidente. Ele pode surgir na dificuldade de desligar do trabalho, na irritação frequente, na sensação de urgência constante, no sono pouco reparador ou até na incapacidade de aproveitar momentos que deveriam ser de descanso. “Quando uma pessoa começa a observar como reage, ela ganha possibilidade de escolha. Em vez de simplesmente responder automaticamente a cada estímulo, pode aprender novas formas de interpretar e enfrentar determinadas situações. É aí que começamos a transformar reação em autorregulação”, destaca.

Mais do que reservar um único dia para falar sobre o problema, o 23 de setembro pode funcionar como um convite para observar o próprio ritmo. Afinal, eliminar desafios, cobranças e imprevistos da vida é impossível. Aprender a responder melhor a eles é uma habilidade que pode ser desenvolvida. “Não precisamos buscar uma vida sem estresse. Precisamos construir uma mente preparada para enfrentar pressão sem permanecer aprisionada nela. Quando conseguimos direcionar nossa energia para aquilo que podemos controlar e também aprendemos a recuperar corpo e mente depois dos desafios, o estresse deixa de comandar nossa vida e passa a ser uma resposta que sabemos administrar”, conclui Skaraboto.

Serviço: Instituto e Clínica Hipnose para Todos

Renê Skaraboto

Neurocientista e Hipnoterapeuta

(41) 99692-9774

@hipnose_para_todos

www.clinicahipnoseparatodos.com.br

Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Ed. Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.

Golpe mira precatórios

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Fraudes usam nomes de advogados, falsos pedidos de taxas e até documentos que imitam tribunais para enganar credores

O aumento das negociações envolvendo precatórios também abriu espaço para um tipo de crime que explora justamente quem passou anos esperando para receber um direito reconhecido pela Justiça. Golpistas têm se passado por advogados, escritórios e até representantes do Judiciário para informar falsamente que o dinheiro está disponível, condicionando a liberação do crédito ao pagamento de taxas, impostos ou supostas custas processuais.

Para a advogada Tayssa Ozon, da Ozon & Tommasi Advocacia Previdenciária, em Curitiba, uma orientação deve ser tratada como regra básica de segurança: desconfiar de qualquer pedido de pagamento antecipado para a liberação do precatório. “O credor nunca deve transferir dinheiro para uma pessoa ou empresa que prometa liberar o precatório mediante pagamento antecipado. Diante de qualquer cobrança inesperada, interrompa a conversa e confirme a informação diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando os canais que você já conhece”, alerta.

A preocupação ganhou dimensão nacional. O Conselho Nacional de Justiça e tribunais de diferentes regiões do país vêm alertando para golpes nos quais criminosos utilizam informações verdadeiras sobre processos e advogados para tornar a abordagem mais convincente. Em alguns casos, os fraudadores usam o nome e a fotografia do profissional que efetivamente representa o credor, criam perfis falsos no WhatsApp e informam que houve uma movimentação favorável no processo. Em seguida, apresentam uma cobrança que precisaria ser paga rapidamente para que o dinheiro fosse liberado.

É justamente a mistura entre informações verdadeiras e uma solicitação fraudulenta que torna esse tipo de golpe especialmente perigoso. “Hoje o golpista pode saber o nome do advogado, o número do processo e até detalhes do precatório. Isso não significa que aquela pessoa seja quem diz ser. Mudança repentina de telefone, pressão para pagamento imediato, chave PIX em nome de terceiros e pedidos de senha ou dados bancários devem acender um sinal de alerta. A confirmação precisa ser feita por um canal oficial e independente daquele utilizado na abordagem”, explica Tayssa.

Outro golpe recorrente envolve a cobrança de uma suposta “taxa de liberação”, custas de última hora ou impostos que deveriam ser pagos antes do recebimento do precatório. O Tribunal de Justiça do Paraná já alertou para tentativas de fraude relacionadas ao pagamento de precatórios e orienta os cidadãos a não realizarem depósitos solicitados por contatos suspeitos. O TJPR também mantém um sistema oficial de consulta, por meio do qual o credor pode verificar informações relacionadas ao seu precatório.

As propostas de compra do crédito também exigem atenção. A cessão de precatórios é permitida pela Constituição Federal, mas uma oferta aparentemente vantajosa não dispensa cuidados básicos. Antes de fornecer documentos ou assinar qualquer instrumento, o credor deve verificar quem está do outro lado da negociação, incluindo a existência da empresa, CNPJ, endereço, responsáveis pela operação e todas as condições financeiras envolvidas. “Uma negociação séria precisa deixar absolutamente claro quanto o credor receberá, qual será o deságio, quais descontos incidirão sobre a operação e como a cessão será formalizada. E existe uma pergunta muito simples que pode evitar muita dor de cabeça: se alguém quer comprar o seu crédito, por que você precisaria pagar antecipadamente para vender?”, questiona a advogada.

A possibilidade de cessão está prevista no artigo 100 da Constituição Federal, que permite ao credor transferir seus créditos em precatórios a terceiros sem necessidade de concordância do devedor, observadas as regras aplicáveis à operação. A comunicação da cessão ao tribunal e ao ente devedor integra os cuidados jurídicos necessários para que a mudança de titularidade produza seus efeitos. Quando a transferência fraudulenta já ocorreu, agir rapidamente pode aumentar as chances de recuperação dos valores. A vítima deve comunicar imediatamente sua instituição financeira e registrar boletim de ocorrência. Nas fraudes realizadas por PIX, também é possível solicitar ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, o MED, criado pelo Banco Central para situações de fraude. A devolução, porém, não é automática nem garantida. O advogado responsável pelo precatório também deve ser informado para avaliar outras providências jurídicas cabíveis.

Para Tayssa, uma das formas mais eficientes de proteção é justamente quebrar o principal mecanismo utilizado pelos criminosos: a urgência. “Precatórios podem representar valores importantes e, muitas vezes, são o resultado de anos de espera. O golpista sabe disso e usa a expectativa de receber o dinheiro para fazer a vítima agir sem pensar. Por isso, se alguém disser que você precisa transferir um valor imediatamente ou perderá o precatório, desconfie. Antes de pagar, enviar documentos ou fornecer qualquer informação pessoal, pare e confirme. Alguns minutos de verificação podem evitar a perda de um patrimônio esperado durante anos”, conclui.

 Serviço: Ozon & Tommasi Advocacia Previdenciária

Dra. Tayssa Ozon – Advogada Previdenciarista – OAB/PR 50.520

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Esperança precisa de escuta

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Setembro Amarelo reforça que perceber mudanças de comportamento, acolher sem julgamentos e oferecer ajuda pode ser decisivo para quem atravessa uma crise emocional

Há pessoas que seguem trabalhando, estudando, cuidando da família e até sorrindo enquanto enfrentam, silenciosamente, um sofrimento difícil de perceber. Com a proximidade do Setembro Amarelo e do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, o alerta se volta justamente para aquilo que nem sempre é visível. No Brasil, 15.507 mortes por suicídio foram registradas em 2021, segundo publicação do Ministério da Saúde. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. (Serviços e Informações do Brasil)

Para o psicólogo clínico Luti Christóforo, de Curitiba, um dos equívocos é interpretar o comportamento suicida como uma simples vontade de morrer. O próprio Ministério da Saúde reconhece o suicídio como um fenômeno complexo e multifatorial, relacionado à interação de fatores psicológicos, biológicos, sociais, culturais e ambientais. “Muitas vezes, aquilo que aparece como um desejo de morrer é, na verdade, um desejo desesperado de que aquela forma de viver e de sofrer deixe de existir. Quando alguém consegue falar sobre a própria dor e encontra quem esteja verdadeiramente disposto a ouvir, ainda existe uma ponte que pode ser fortalecida entre essa pessoa e a vida”, afirma.

Ao longo de sua trajetória clínica, Christóforo já acompanhou diversos pacientes que chegaram ao consultório vivenciando pensamentos suicidas. Alguns chegaram após uma tentativa, e outros, depois de mais de uma tentativa. “Graças a Deus, até hoje nunca perdi um paciente por suicídio”, afirma o psicólogo. Para ele, essa experiência reforça a importância de levar a sério aquilo que o paciente apresenta, acolher o sofrimento sem julgamentos e construir, junto com ele, possibilidades para atravessar momentos de crise.

Segundo Christóforo, em momentos de sofrimento intenso, a dor pode ocupar tamanho espaço que a pessoa perde temporariamente a capacidade de enxergar alternativas. “É como estar dentro de uma sala escura e acreditar que aquela sala é o mundo inteiro. Às vezes, o primeiro trabalho terapêutico não é resolver todos os problemas. É ajudar a pessoa a atravessar aquela noite, chegar à próxima semana, à próxima sessão e, pouco a pouco, voltar a imaginar que existe um amanhã”, explica.

Com atuação fundamentada também na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o psicólogo observa que determinados momentos de ruptura podem revelar conflitos, culpas, relações destrutivas, expectativas ou formas de viver que já não conseguem sustentar o indivíduo. Nesse processo, a psicoterapia pode ajudar a compreender o sofrimento e construir novas possibilidades. “Eu já vi pessoas chegarem ao consultório acreditando que não havia mais saída e, meses depois, voltarem a falar sobre sonhos e projetos. A psicoterapia não apaga magicamente a dor, mas cria um espaço para que ela seja colocada em palavras, compreendida e elaborada”, diz Christóforo.

A escuta de familiares, amigos e colegas também pode fazer diferença. O Ministério da Saúde recomenda procurar um momento e um ambiente adequados para conversar com quem apresenta sinais de sofrimento, ouvir com abertura e sem julgamentos e incentivar a busca por atendimento profissional. Em situações de perigo imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar serviços de saúde ou de emergência.

Para Christóforo, frases como “pense positivo”, “isso vai passar” ou comparações com problemas de outras pessoas podem produzir o efeito contrário ao desejado. “Nem sempre precisamos encontrar a frase perfeita. Muitas vezes, uma pergunta verdadeira, ‘você está realmente bem?’, seguida da disposição para ouvir a resposta, é muito mais importante.”

Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, desesperança, abandono de atividades e projetos, falas recorrentes sobre morte ou ausência de perspectivas merecem atenção, embora nenhum sinal isolado permita prever um suicídio. A prevenção depende de uma abordagem ampla, com acolhimento, redução do estigma e acesso adequado ao cuidado em saúde mental. “Precisamos abandonar a ideia de que pedir ajuda demonstra fraqueza. Conseguir dizer ‘eu não estou dando conta sozinho’ pode ser uma das atitudes mais importantes que uma pessoa toma em sua vida”, destaca o psicólogo.

Para Christóforo, a principal mensagem do Setembro Amarelo deveria permanecer durante todo o ano. A prevenção também acontece nas pequenas atitudes, quando uma família percebe uma mudança, quando um colega observa que alguém deixou de falar sobre o futuro ou quando uma pessoa encontra segurança para admitir que precisa de ajuda. “A vida nem sempre precisa fazer sentido hoje. Em alguns momentos, precisamos criar condições para que ela volte a fazer sentido amanhã. A esperança nem sempre chega como uma grande revelação. Às vezes, ela chega como uma conversa, uma escuta, uma mão estendida ou simplesmente como alguém que permanece”, conclui.

Serviço: Luti Christóforo

Psicólogo clínico

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Empresa saudável começa nos números

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Faturamento alto nem sempre significa um negócio saudável. Entender margem, caixa, custos e resultado ajuda empresários a identificar problemas antes que eles apareçam

Uma empresa pode vender mais a cada mês, conquistar novos clientes e bater recordes de faturamento e, ainda assim, estar ficando financeiramente mais frágil. Isso acontece porque faturamento, sozinho, diz muito pouco sobre a saúde de um negócio. “É muito comum o empresário saber exatamente quanto vendeu no mês, mas não conseguir responder quanto realmente ganhou. E são duas coisas completamente diferentes”, afirma Danilo Fermino, contador e sócio da Flow Contabilidade Digital.

Segundo ele, o problema aparece quando o faturamento passa a ser usado como principal referência para tomar decisões. A empresa vende mais e, por isso, contrata. Aumenta a estrutura. Assume um financiamento. Compra equipamentos. Eleva a retirada dos sócios. Mas nem sempre existe uma análise sobre quanto desse crescimento efetivamente está se transformando em resultado. “Uma empresa pode aumentar o faturamento e, ao mesmo tempo, perder margem. Pode apresentar lucro e estar com dificuldade de caixa. Pode ter dinheiro na conta hoje e compromissos para os próximos 30 dias que tornam aquele saldo praticamente indisponível. Quando olhamos somente um número, corremos o risco de chegar à conclusão errada.”

Por isso, acompanhar a saúde financeira de uma empresa exige olhar para indicadores em conjunto. Faturamento, margem, custos fixos, geração de caixa, endividamento e resultado ajudam a mostrar não apenas onde o negócio está, mas também se existe espaço para os próximos passos. Essa informação passa a ter valor principalmente antes das decisões.

Contratar um funcionário, comprar um equipamento, abrir uma nova unidade ou assumir uma dívida são decisões que podem parecer comerciais, mas têm consequências financeiras que podem ser projetadas. “Antes de contratar, por exemplo, eu posso calcular quanto aquela contratação aumenta o custo da empresa e quanto de receita adicional ela precisa gerar para se pagar. A decisão continua sendo do empresário, mas ele passa a decidir sabendo o impacto que aquilo terá nos números.”

A mesma lógica vale para a área tributária. Conforme a empresa cresce, muda sua folha de pagamento, sua margem ou sua estrutura, um regime tributário que funcionava anteriormente pode deixar de ser a melhor alternativa. “Não existe uma escolha tributária que seja boa para sempre. A empresa muda e a estratégia tributária também precisa ser revisada. Mas imposto é apenas uma parte da análise. Economizar imposto e continuar com uma operação pouco rentável não resolve o problema.”

Para Danilo, uma das principais mudanças na relação entre empresário e contador está justamente na utilização das informações que a contabilidade já produz. “O empresário não precisa de um contador que apenas diga quanto ele precisa pagar. Ele precisa entender se a empresa dá lucro, onde está perdendo margem, quanto pode investir, quais riscos está assumindo e o que precisa mudar para chegar onde pretende.”

Isso não elimina a experiência ou a percepção de quem está à frente do negócio. Pelo contrário. Os números ajudam a testar essas percepções antes que uma decisão importante seja tomada. “Tem decisão que parece ótima olhando para o faturamento e deixa de parecer quando colocamos margem, custos e caixa na conta. O número não decide pelo empresário. Ele mostra coisas que, muitas vezes, o empresário não consegue enxergar olhando apenas para a operação.”

No Dia do Contador, celebrado em 22 de setembro, a discussão sobre o papel da profissão também passa por essa mudança. Com tecnologia e acesso mais rápido às informações, o trabalho contábil pode ir além do cumprimento de obrigações e ajudar empresas a entender melhor o próprio negócio.

Porque crescer é importante. Mas saber se esse crescimento está efetivamente deixando a empresa mais saudável é uma discussão diferente.

Serviço: Flow Contabilidade

Danilo Fermino

Contador CRC PR 078065/O-2

(41) 99963-7065

@danilofermino

danilo@flowcontabilidade.com.br

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