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Shopping Plaza Campos Gerais recebe 1ª Corrida Kids em Ponta Grossa (PR)

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Evento será realizado na véspera do Dia das Crianças, com percursos de 50 a 400 metros, para incentivar a prática esportiva entre os pequenos

Um dia antes do Dia das Crianças, Ponta Grossa ganha um evento esportivo feito sob medida para o público infantil. No dia 11 de outubro, o Shopping Plaza Campos Gerais sedia a 1ª Corrida Kids Shopping Plaza, com largada às 9h30 e provas para meninos e meninas de 2 a 13 anos. As inscrições poderão ser feitas até o dia 04 de outubro pelo site da Ticket Sports

Com percursos que variam de 50 a 400 metros, adaptados a cada idade, a proposta é oferecer aos pequenos o contato com uma competição esportiva de forma leve e divertida, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento. Mais do que o desafio físico, o evento organizado pela Muraro Eventos Esportivos estimula a convivência entre participantes e familiares.

A disputa será organizada em cinco categorias, com distâncias definidas pela idade:

2 a 4 anos: 50 metros

5 a 6 anos: 100 metros

7 a 8 anos: 200 metros

9 a 10 anos: 300 metros

11 a 13 anos: 400 metros

As inscrições custam R$ 39,90, mais taxa de serviço, e dão direito ao Kit Atleta Kids, com número de peito, hidratação, brindes dos patrocinadores e medalha especial de participação, entregue ao final da prova. A camiseta oficial pode ser adquirida à parte, por R$ 50.

Os inscritos de Ponta Grossa retiram os kits no dia 10 de outubro. Já os atletas de outras cidades poderão buscá-los no próprio local da largada, no dia do evento, das 7h30 às 8h.

A iniciativa acompanha o movimento de aproximar a garotada do esporte desde cedo, incentivando hábitos mais saudáveis já nos primeiros anos de vida. “Para as famílias, é também uma oportunidade de unir esporte e lazer em um mesmo programa”, completa o superintendente do Plaza Campos Gerais, Frederico Galvão.

SERVIÇO — 1ª Corrida Kids Shopping PlazaData: 11 de outubro de 2026
Horário: 9h30
Local: Shopping Plaza Campos Gerais
Faixa etária: de 2 a 13 anos
Percursos: de 50 a 400 metros
Valor da inscrição: R$ 39,90 + taxa de serviço
Inscrições: https://www.ticketsports.com.br/e/1-corrida-kids-shopping-plaza-87731

Sobre o Shopping Plaza Campos Gerais 

Maior shopping da região, o Plaza Campos Gerais é o 12º empreendimento do Grupo Tacla, maior conglomerado de shopping centers do Sul do Brasil. Inaugurado em 2025, o mall tem 76 mil metros quadrados de área total e 27 mil de área locável. Localizado na região da Ronda, em Ponta Grossa (PR), conta com dois pavimentos comerciais e 130 operações entre lojas e quiosques. Inspirado nas linhas e formas da Escarpa Devoniana, o projeto arquitetônico transformou o mall em um marco para a cidade. Com dezenas de grandes marcas nacionais e internacionais, o Plaza Campos Gerais abriga ainda seis salas de cinema.

Surto de salmonela na Europa reacende alerta sobre cuidados na cozinha

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Mais de 300 pessoas foram infectadas, ao menos 34 precisaram de hospitalização e uma morte foi associada ao surto

Um surto de salmonela, que já atingiu mais de 300 pessoas na Europa e causou uma morte no Reino Unido, voltou a colocar em evidência os riscos das infecções transmitidas por alimentos — e os cuidados que podem aumentar ou reduzir as chances de contaminação.

O episódio está associado ao consumo de ovos contaminados da produtora Laerco BV, na Bélgica, o que levou a Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar da Bélgica (FASFC) a ampliar o recall dos produtos na região. No Brasil, contudo, não há registro de risco relacionado ao surto, já que o país não importa ovos in natura da União Europeia e mantém rígidos controles do sistema de inspeção sanitária.

Dados provisórios do Sistema de Saúde Pública do Reino Unido mostram que a Inglaterra registrou 2.020 notificações laboratoriais de Salmonella não tifoide no primeiro trimestre de 2026, ante 1.588 no mesmo período de 2025 — crescimento de 27,2%.

O que é salmonela?

Salmonela é o nome dado a um grupo de bactérias capazes de causar infecções gastrointestinais. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados, embora também possa acontecer pelo contato com animais, ambientes contaminados e, com menor frequência, de uma pessoa para outra.

Ovos e aves estão entre os alimentos mais frequentemente associados à bactéria, mas não são os únicos. Carnes, leite não pasteurizado, frutas, verduras e outros produtos também podem servir como veículos de transmissão.

Os sintomas mais comuns incluem diarreia, cólicas abdominais, febre, náuseas e, em alguns casos, vômitos. Na maioria das pessoas, a infecção é autolimitada e desaparece sem tratamento específico. Crianças pequenas, idosos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com determinadas condições de saúde, porém, têm maior risco de desenvolver complicações.

Em situações mais graves, a bactéria consegue ultrapassar a barreira intestinal e atingir a corrente sanguínea. A partir daí, a infecção pode se disseminar pelo organismo e evoluir para quadros potencialmente fatais, como sepse.

No surto britânico, duas pessoas apresentaram infecção na corrente sanguínea e uma morte foi associada ao episódio. As autoridades não divulgaram detalhes sobre a vítima enquanto a investigação permanece em andamento.

“A Salmonella é um microrganismo altamente adaptado. Ela contamina água e alimentos, impactando a saúde pública de forma massiva”, explica Alberto Gonçalves Evangelista, pesquisador do Biopark.

Ele atua no Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Alimentos Saudáveis, que trabalha no desenvolvimento de estratégias de controle para mitigar a circulação de bactérias e de genes de resistência antimicrobiana entre o campo e a mesa do consumidor.

O perigo também pode estar na própria cozinha

Embora o surto britânico esteja sendo investigado a partir de uma possível relação com ovos importados, o episódio chama atenção para um problema mais amplo: a forma como os alimentos são manipulados depois que chegam à cozinha.

Durante a investigação, as autoridades identificaram possíveis episódios de contaminação cruzada em dois dos estabelecimentos analisados.

Essa contaminação acontece quando microrganismos presentes em um alimento cru chegam a outro alimento — especialmente àquele que já está pronto para ser consumido — por meio das mãos, facas, tábuas, pratos, bancadas ou outros utensílios.

Um exemplo está em um hábito ainda comum: lavar o frango cru antes do preparo. Embora pareça uma medida de higiene, a prática pode produzir o efeito contrário. Os respingos da lavagem podem transportar microrganismos presentes na carne para a pia, torneira, bancada, utensílios e alimentos próximos. Além disso, se a água não apresentar a qualidade adequada, pode inserir microrganismos que até aquele momento não existiam no alimento.

O que torna o frango seguro é o cozimento adequado, combinado a medidas que evitem a contaminação cruzada.

Também não é possível confiar apenas nos sentidos para saber se um alimento está contaminado. A presença de Salmonella não necessariamente altera cheiro, cor, textura ou sabor. Um ovo, uma carne ou outro alimento podem parecer perfeitamente normais e ainda assim carregar a bactéria.

Por isso, procedência, higiene das mãos, separação entre alimentos crus e prontos para consumo, refrigeração adequada e cozimento correto são barreiras mais eficazes do que simplesmente observar o aspecto do alimento.

Mas alguns hábitos domésticos transmitidos de geração em geração ainda confundem higiene com segurança microbiológica. Veja o que é mito e o que é verdade sobre a salmonela.

Mitos e verdades

1. É possível identificar um alimento contaminado pelo cheiro ou pela aparência.MITO —  Um alimento pode conter Salmonella sem apresentar alterações perceptíveis de cheiro, sabor, cor ou aparência.

2. Ovos podem transmitir salmonela mesmo quando parecem normais.VERDADE — A contaminação não necessariamente provoca mudanças visíveis no ovo ou na casca.

3. Ovo caipira ou orgânico não tem salmonela.MITO — O método de produção, por si só, não garante que o alimento esteja livre da bactéria.

4. Lavar o ovo antes de guardá-lo elimina o risco.MITO —  A lavagem doméstica pode tornar o ovo menos seguro, já que compromete barreiras naturais da casca. O cuidado com armazenamento, manipulação e cozimento continua necessário.

5. Lavar o frango cru torna a carne mais segura.MITO —  A água não elimina de maneira segura as bactérias presentes na carne e os respingos podem espalhar microrganismos pela pia, bancada e utensílios.

6. Cozinhar adequadamente é uma das principais formas de proteção.VERDADE — Temperaturas suficientemente altas destroem a Salmonella. O importante é que o alimento atinja cozimento adequado também em seu interior.

7. Congelar mata a salmonela.MITO —  A bactéria pode sobreviver ao congelamento. Baixas temperaturas dificultam sua multiplicação, mas não constituem um método confiável para eliminá-la.

8. A geladeira mata a bactéria.MITO —  A refrigeração ajuda a controlar a multiplicação bacteriana, mas não necessariamente destrói a Salmonella já presente no alimento.

9. Uma salada pode ser contaminada pelo frango cru mesmo sem encostar nele.VERDADE —  Uma faca, tábua, mão ou superfície que teve contato com a carne crua pode transportar microrganismos para alimentos que serão consumidos sem cozimento.

10. Só frango e ovos transmitem salmonela.MITO —  Água, carnes, leite não pasteurizado, frutas e verduras também podem estar envolvidos. Surtos já foram associados até mesmo a alimentos como chocolate e pasta de amendoim.

11. Limão ou vinagre eliminam a salmonela.MITO — A acidez desses ingredientes não substitui o cozimento adequado nem transforma automaticamente um alimento contaminado em seguro para consumo.

12. Preparações com ovo cru exigem atenção especial.VERDADE — Maionese caseira, mousses, tiramisù e outras receitas que utilizam ovos sem cozimento podem ser preparadas com ovos pasteurizados para reduzir o risco.

13. Se o frango está branco por dentro, necessariamente está seguro. MITO — Cor e aparência não são as formas mais confiáveis de determinar se todas as partes do alimento atingiram temperatura suficiente para destruir microrganismos.

14. A salmonelose pode provocar a morte.VERDADE — Embora a maioria das pessoas se recupere, em alguns casos a bactéria chega à corrente sanguínea e pode provocar infecções sistêmicas, sepse e outras complicações graves. Isso é especialmente impactante para pessoas mais sensíveis, como gestantes, idosos e crianças.

15. Toda salmonelose precisa ser tratada com antibióticos. MITO — A maioria dos casos é autolimitada. Antibióticos ficam reservados principalmente para situações específicas, pacientes de maior risco ou infecções mais graves, conforme avaliação médica. Nunca use antibióticos por conta própria, pois isso pode induzir a resistência antimicrobiana e agravar problemas que você ainda nem sabe que existem.

16. Crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos merecem atenção especial. VERDADE — Esses grupos apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves da doença e complicações.

17. Depois que o alimento foi cozido, não existe mais risco.MITO —  Uma carne perfeitamente cozida pode voltar a ser contaminada se for colocada no mesmo prato que recebeu o alimento cru ou entrar em contato com mãos e utensílios contaminados.

18. Esponjas de louça velhas podem acumular e espalhar bactérias.VERDADE —  Por permanecerem úmidas e reterem resíduos de alimentos, as esponjas podem favorecer a sobrevivência e o crescimento de microrganismos. Não existe um intervalo científico universal que determine sua troca a cada determinado número de dias. Elas devem ser bem enxaguadas, mantidas o mais secas possível entre os usos e substituídas quando estiverem desgastadas, com mau cheiro ou não puderem mais ser adequadamente higienizadas. Esponjas que tiveram contato com líquidos de carnes ou aves cruas exigem atenção especial.

19. Medidas simples reduzem boa parte do risco. VERDADE —Lavar adequadamente as mãos, separar alimentos crus daqueles prontos para consumo, cozinhar os alimentos de maneira correta, manter os perecíveis refrigerados e evitar preparar comida para outras pessoas quando se está com sintomas gastrointestinais estão entre as principais medidas preventivas.

O surto britânico não significa que ovos ou frango devam ser eliminados do cardápio. O episódio reforça algo mais útil para a vida cotidiana: segurança alimentar depende de uma sequência de cuidados, desde a origem do produto até o momento em que ele chega ao prato.

E alguns deles começam justamente com a revisão de hábitos que parecem higiênicos, mas que podem não oferecer a proteção imaginada — ou até facilitar a disseminação de microrganismos pela cozinha.

Financiamento de caminhões cresce 8,1% até julho, puxado pelos seminovos

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Operações com caminhões usados avançam 10,6% no acumulado do ano, enquanto financiamentos de modelos novos crescem 4,9%

Mesmo em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito, o financiamento de caminhões cresceu 8,1% entre janeiro e julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da B3. Ao todo, foram 156.035 operações de crédito, considerando novos e usados.

O crescimento, porém, não foi uniforme entre as categorias. Entre os usados, foram 87.939 operações de financiamento no período, alta de 10,6% em relação aos mesmos meses de 2025. Já entre os novos, foram 68.096 operações, avanço de 4,9%, segundo levantamento da B3.

Esse movimento acontece em um mercado que enfrenta desafios. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) reduziu, em julho, sua projeção de licenciamentos de caminhões para 2026, que passou a 106,7 mil unidades no ano. Entre os fatores considerados pela entidade estão os juros elevados, as condições menos favoráveis para o agronegócio e os custos ainda pressionados.

Na avaliação do gerente comercial da Servopa Caminhões, Luis Spezia, esse ambiente leva o cliente a analisar a compra com mais cautela e a considerar diferentes aspectos da operação. “Estamos vendo um cliente mais racional e mais atento ao custo da operação. Ele não olha apenas para o valor do caminhão ou para a parcela do financiamento, mas também para fatores como produtividade, consumo, manutenção e disponibilidade. Quando essa conta fecha, mesmo em um cenário de juros altos, a renovação da frota deixa de ser adiada e passa a ser vista como investimento”, afirma.

Para transportadoras e empresas que dependem de veículos pesados, essa avaliação se torna ainda mais relevante diante da necessidade de equilibrar a renovação da frota com a preservação do caixa. Nesse contexto, o financiamento  permite substituir modelos mais antigos sem exigir o desembolso de todo o valor de uma só vez.

“Para uma empresa, a decisão de renovar um caminhão passa por uma análise que vai muito além da parcela. É preciso colocar na conta o consumo de combustível, os custos de manutenção, o tempo que o veículo fica parado e a produtividade que ele consegue entregar. Por isso, o financiamento pode ser uma ferramenta importante para antecipar essa troca quando o ganho de eficiência compensa o custo do investimento”, explica Spezia.

A diferença no ritmo de crescimento entre caminhões novos e usados evidencia o espaço dos seminovos entre as opções disponíveis às empresas. “O seminovo pode ser uma alternativa interessante principalmente para empresas que precisam equilibrar renovação e capacidade de investimento. Em muitos casos, é possível substituir um veículo mais antigo por outro mais eficiente sem assumir o mesmo nível de investimento exigido para a aquisição de um caminhão zero-quilômetro”, destaca o executivo do Grupo Servopa.

Para as empresas, o cenário reforça a importância de considerar os impactos financeiros e operacionais antes de optar pela troca dos veículos. “A renovação da frota é uma decisão de negócio. Quando a empresa consegue colocar na conta o investimento, o custo financeiro e os ganhos de eficiência que o novo veículo pode proporcionar, ela passa a ter mais elementos para avaliar se é o momento de fazer essa mudança”, finaliza Spezia.

Sobre o Grupo Servopa

Há 70 anos atuando no mercado, o Grupo Servopa se consolidou como um dos principais grupos do setor automotivo no Brasil, representando 15 marcas de renome como Volkswagen, Audi, Hyundai, BYD, GAC, Honda, Peugeot, Volvo e Harley-Davidson. Com sede em Curitiba (PR), reúne operações em concessionárias de veículos, consórcios e serviços relacionados, com 52 lojas distribuídas nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Opinião: A herança tóxica da sociedade descartável

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*Taiane Camargo e Alberto Evangelista

Durante décadas, a imagem mais conhecida da poluição plástica foi a de tartarugas presas em redes abandonadas ou aves marinhas alimentando seus filhotes com tampas de garrafa. Essas cenas continuam chocantes, mas talvez não sejam mais as mais preocupantes. O problema mudou de escala. E mudou de endereço.

Hoje, a grande questão não é apenas o plástico que vemos. É o plástico que não vemos. Os microplásticos — partículas menores que 5 milímetros resultantes da degradação de embalagens, roupas sintéticas, pneus, tintas e inúmeros produtos do cotidiano — já ultrapassaram as fronteiras dos oceanos, dos rios e dos solos. Eles chegaram ao interior do corpo humano.

A descoberta mais inquietante dos últimos anos não ocorreu em uma praia poluída nem em uma área industrial. Ela aconteceu dentro de laboratórios que analisavam tecidos humanos. Em 2024, pesquisadores da Universidade do Novo México encontraram microplásticos em todas as 62 placentas humanas analisadas. O dado é particularmente preocupante porque a placenta é um órgão temporário, formado durante a gestação, o que sugere uma exposição contínua e crescente da população.

No mesmo período, estudos detectaram microplásticos em sangue humano, pulmões, fígado, rins e cordões umbilicais. Mais recentemente, pesquisadores identificaram concentrações ainda maiores no cérebro humano, em níveis superiores aos encontrados em outros órgãos analisados. Além disso, os estudos indicam um aumento significativo dessas concentrações entre 2016 e 2024.

A imagem é perturbadora. Por muito tempo, acreditou-se que o plástico era um problema ambiental. Hoje, ele se apresenta também como uma questão de saúde pública.

Acontece que os microplásticos não surgem espontaneamente. Eles são o estágio final de um modelo de consumo baseado no descarte. Uma garrafa plástica abandonada em um terreno baldio não desaparece. Ela se fragmenta. Uma sacola carregada pelo vento não deixa de existir. Ela se transforma em milhares de partículas microscópicas. Um pneu desgastado pelo atrito com o asfalto libera partículas que podem ser transportadas pela chuva, pelo ar e pelos sistemas de drenagem urbana.

Esses fragmentos acabam chegando aos rios, lagos e oceanos. Ali são ingeridos por organismos aquáticos e entram na cadeia alimentar. No litoral do Paraná, uma pesquisa conduzida pela oceanógrafa Fernanda Possatto identificou microplásticos em 93,6% dos peixes analisados em feiras e mercados da região. Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentavam partículas no trato digestório.

O dado não significa que o consumo desses peixes represente automaticamente um risco imediato à saúde humana. A própria pesquisadora faz essa ressalva. Porém, ele evidencia um fenômeno mais amplo: o plástico já está circulando pelos mesmos sistemas ecológicos que sustentam nossa alimentação.

E não apenas nos pescados. Microplásticos já foram identificados em sal de cozinha, açúcar, água potável, cerveja, frutas, vegetais e alimentos ultraprocessados. Em outras palavras: evitar completamente a exposição tornou-se praticamente impossível.

Uma das maiores dificuldades desse debate é que a ciência ainda está construindo respostas. Não existe, até o momento, consenso definitivo sobre quais concentrações representam risco direto à saúde humana, nem sobre os efeitos acumulativos ao longo de décadas de exposição.

Mas a ausência de respostas definitivas não significa ausência de riscos. Diversos estudos experimentais sugerem que microplásticos e nanoplásticos podem desencadear processos inflamatórios, estresse oxidativo, alterações metabólicas e danos celulares. Também cresce a preocupação com compostos químicos associados aos plásticos, como ftalatos e bisfenóis, conhecidos por interferirem no funcionamento hormonal do organismo.

Há ainda um agravante frequentemente ignorado: os microplásticos funcionam como uma espécie de “ônibus molecular”. Durante sua trajetória no ambiente, podem adsorver metais pesados, pesticidas, compostos tóxicos e microrganismos patogênicos. Quando ingeridos por organismos vivos, transportam consigo esses contaminantes. É como se o problema não fosse apenas a partícula plástica, mas também a carga invisível que ela carrega.

Ao mesmo tempo em que nunca houve tanta preocupação com alimentação saudável, atividade física e qualidade de vida, nunca produzimos tanto plástico. Segundo estimativas internacionais, a produção mundial de plástico supera atualmente 400 milhões de toneladas por ano e continua crescendo. Grande parte desse volume é destinada a embalagens de uso único que permanecem no ambiente por décadas ou séculos.

É como se estivéssemos tentando cuidar do corpo enquanto ampliamos continuamente a contaminação do ambiente de que dependemos para viver. A natureza não possui um sistema capaz de processar rapidamente essa avalanche de polímeros sintéticos. O resultado é previsível: eles se acumulam. Primeiro, nos rios; depois, nos oceanos; e, por fim, nos alimentos. E agora, em nós.

A boa notícia é que existem soluções. Tecnologias de tratamento de água, sistemas de filtração mais eficientes, melhorias nos processos de reciclagem, desenvolvimento de biopolímeros e embalagens biodegradáveis representam avanços importantes. Mas nenhuma inovação tecnológica será suficiente se a cultura do descarte permanecer inalterada.

Reduzir o consumo de plásticos de uso único continua sendo a medida mais eficaz. Optar por recipientes reutilizáveis, evitar aquecer alimentos em embalagens plásticas, ampliar programas de coleta seletiva e exigir políticas públicas mais rigorosas são ações que parecem pequenas individualmente, mas que se tornam relevantes quando adotadas em escala social.

A história da saúde pública mostra que as grandes transformações costumam ocorrer antes da certeza absoluta. Foi assim com o tabagismo, com o amianto, com o chumbo na gasolina. Primeiro surgem os sinais. Depois vêm as evidências acumuladas. Por fim, a sociedade reconhece que ignorou, por tempo demais, algo que estava diante de seus olhos.

No caso dos microplásticos, talvez estejamos exatamente nesse momento. A pergunta já não é se eles chegaram ao ambiente, mas quanto tempo levaremos para reagir ao fato de que eles chegaram ao nosso próprio organismo.

*Taiane Mota Camargo é doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos e pesquisadora do Biopark. Alberto Gonçalves Evangelista é doutor em Ciência Animal e pesquisador do Biopark.

Imprensa vira ativo digital

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Além da reputação, publicações jornalísticas passam a alimentar marketing, buscas e a construção do histórico online de empresas e profissionais

A transformação digital está mudando até mesmo um dos serviços mais tradicionais da comunicação corporativa. Se durante décadas a assessoria de imprensa teve como principal objetivo conquistar reputação e visibilidade por meio de jornais, revistas, rádio e televisão, hoje uma publicação pode continuar gerando valor muito depois de deixar de ser notícia. Portais eletrônicos, mecanismos de busca, hiperlinks e, mais recentemente, a Inteligência Artificial estão fazendo com que a presença na imprensa também se transforme em um patrimônio digital para empresas e profissionais.

A mudança acompanha o próprio comportamento do público. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, aponta que 84% da população brasileira tem acesso à internet e que o número de veículos de mídia online cresceu em 2025. O levantamento mostra ainda que a mídia digital respondeu por 40,6% do investimento publicitário no Brasil, praticamente empatada com a televisão, com 41,3%. Paralelamente, uma pesquisa da EY divulgada em 2026 apontou que 94% dos brasileiros entrevistados haviam utilizado Inteligência Artificial nos seis meses anteriores. Para a jornalista e estrategista de comunicação Verônica Pacheco, CEO da Toda Comunicação, esse cenário exige uma nova compreensão sobre o papel da assessoria de imprensa.

“A reputação continua sendo a nossa principal entrega, mas hoje uma matéria não termina quando é publicada. Ela pode virar conteúdo para as redes sociais, argumento para o departamento comercial, referência no Google e parte do histórico digital daquela marca. A assessoria de imprensa passou a construir ativos que continuam trabalhando depois que a notícia deixa de ser novidade”, afirma Verônica.

Na prática, a mudança está relacionada principalmente à multiplicação dos canais digitais. Uma entrevista que antes poderia ter seu impacto concentrado no dia em que um jornal circulava ou um programa era transmitido agora pode permanecer disponível por anos em um portal. Quando essas publicações trazem o nome do profissional, sua especialidade, empresa, fotografia e hiperlink para o site oficial, passam a formar uma rede de referências digitais sobre aquela marca.

Segundo Verônica, é justamente nesse ponto que assessoria de imprensa, marketing e posicionamento digital começam a se aproximar. “São três entregas que se complementam. A imprensa constrói reputação porque existe a validação de um terceiro. A matéria gera conteúdo de qualidade que o marketing pode reaproveitar. E, quando essas publicações permanecem online, começamos a construir um histórico digital consistente sobre aquele profissional ou empresa”, explica.

Os hiperlinks inseridos editorialmente nas matérias também podem contribuir para a estratégia de SEO, embora seu impacto dependa de fatores como autoridade do domínio, atributos técnicos do link e relevância do conteúdo. Para a estrategista, entretanto, o valor está no conjunto. Em vez de pensar somente em uma grande exposição isolada, a comunicação passa a buscar recorrência, diversidade de fontes e presença qualificada ao longo do tempo.

A Inteligência Artificial acrescentou uma nova camada a essa transformação. À medida que ferramentas de IA passam a fazer parte da maneira como consumidores pesquisam produtos, serviços e profissionais, aumenta a importância de existirem informações públicas, coerentes e qualificadas sobre uma marca na internet. Verônica ressalta, porém, que nenhuma assessoria pode garantir que determinada plataforma recomendará um cliente. “Não se trata de manipular a Inteligência Artificial ou prometer uma indicação. Trata-se de construir presença. Se uma empresa quer ser reconhecida no ambiente digital, precisa existir digitalmente de maneira consistente, em fontes próprias e também em fontes independentes. A imprensa tem um papel importante nessa construção”, afirma.

À frente da Toda Comunicação, que completou recentemente 23 anos, Verônica diz que acompanhar essa transformação passou a fazer parte da própria evolução da agência. A empresa tem intensificado o trabalho de distribuição online e a busca por hiperlinks, sem abandonar a conquista de espaços em veículos tradicionais e de grande alcance. “Em comunicação, experiência não pode significar fazer durante 20 anos exatamente a mesma coisa. O mercado muda, a tecnologia muda e o comportamento das pessoas muda muito rápido. A maturidade está em preservar aquilo que continua valioso, como credibilidade e relacionamento com jornalistas, e incorporar as ferramentas e estratégias que fazem sentido para o presente”, destaca.

Para ela, o futuro da assessoria de imprensa está justamente na integração. Relações públicas, conteúdo, SEO, redes sociais, imprensa e Inteligência Artificial não devem ser tratados como universos completamente separados. “Uma boa reputação facilita o trabalho do marketing e do comercial porque confiança vem antes da venda. Nosso desafio agora é fazer com que cada espaço conquistado na imprensa tenha uma vida muito maior: gere autoridade no presente e ajude a construir o patrimônio digital que a marca levará para o futuro”, conclui.

Serviço: Toda Comunicação

Verônica Pacheco

Jornalista e Estrategista de Comunicação

@agenciatodacomunicacao

redacao@todacomunicacao.com.br

www.todacomunicacao.com.br

Hospital São Marcelino Champagnat amplia atendimento ortopédico para 24 horas

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Serviço amplia o acesso à avaliação especializada para casos de urgência e emergência, como fraturas, luxações, entorses e traumas

O Hospital São Marcelino Champagnat ampliou o horário do atendimento ortopédico no Pronto Atendimento, que passa a funcionar 24 horas por dia, todos os dias, inclusive aos finais de semana e feriados. Com a ampliação do horário, o serviço oferece atendimento especializado para casos de urgência e emergência ortopédica em qualquer horário. A avaliação especializada é importante após quedas, acidentes e outros traumas que possam resultar em fraturas, luxações, entorses ou outras lesões. Dor intensa, inchaço, deformidade ou dificuldade para movimentar um membro ou apoiar o peso do corpo são alguns dos sinais que merecem atenção.

“Uma avaliação rápida permite identificar a gravidade da lesão, controlar a dor e iniciar o tratamento adequado o quanto antes, reduzindo o risco de complicações e favorecendo a recuperação”, explica o coordenador do plantão de Ortopedia do Hospital São Marcelino Champagnat, Francisco José Zaniolo.

O atendimento integra a estrutura do Centro de Ortopedia e Traumatologia da instituição, que atua no diagnóstico e tratamento de doenças do sistema osteomuscular, deformidades, fraturas e outros quadros ortopédicos, tanto crônicos quanto agudos. A equipe reúne ortopedistas de diferentes subespecialidades e está preparada para atender desde os casos mais simples até casos complexos que demandem atendimento especializado.

Atendimento integrado

O paciente que chega ao Pronto Atendimento passa pelo acolhimento e por uma avaliação inicial. Na sequência, é realizada a avaliação  clínica pelo ortopedista. Quando necessário, são solicitados exames de imagem, como radiografia e tomografia, além de outros exames complementares. A partir dos resultados, é definida a conduta mais adequada para cada caso, que pode incluir medicação para controle da dor, imobilização, procedimentos realizados no próprio Pronto Atendimento ou encaminhamento para cirurgia.

A estrutura do hospital permite integrar avaliação médica, exames e tratamento em um mesmo local. Quando necessário, o paciente também pode ser encaminhado para continuidade do tratamento com as equipes das subespecialidades ortopédicas do hospital.

Quando procurar atendimento

Nem toda dor ou lesão ortopédica exige atendimento de emergência. No entanto, após uma queda, acidente ou outro trauma, alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação médica:

  • Deformidade visível no membro ou articulação
  • Dor intensa e persistente
  • Inchaço significativo
  • Dificuldade ou incapacidade de movimentar o membro
  • Impossibilidade de apoiar o peso do corpo

Serviço

Atendimento Ortopédico do Hospital São Marcelino ChampagnatLocal: Pronto Atendimento do Centro de Ortopedia e Traumatologia
Endereço: Av. Presidente Affonso Camargo, 1399 – Cristo Rei
Horário: 24 horas, todos os dias, incluindo finais de semana e feriados
Entrada: Acesso vermelho, sinalizado com a placa “Pronto Atendimento”

Saber não basta

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Relatos de profissionais mostram um desafio comum entre líderes: transformar conhecimento, planejamento e intenção em comportamento capaz de produzir resultados

Empresários, gestores e profissionais nunca tiveram tanto acesso a conhecimento, tecnologia e ferramentas de gestão. Inteligência artificial, cursos, mentorias, livros e metodologias ajudam a mostrar caminhos, mas existe uma distância que nenhuma informação consegue percorrer sozinha: aquela entre saber o que precisa ser feito e efetivamente fazer. Para o terapeuta comportamental de líderes Saulo Coelho, é justamente nesse espaço que muitos profissionais estão perdendo produtividade, oportunidades e resultados.

“O mercado ensina muito sobre o que fazer, mas pouco sobre por que, mesmo sabendo o que fazer, continuamos repetindo comportamentos que nos afastam do resultado. A motivação inicia, a intenção direciona, mas é o comportamento que decide. Um líder pode conhecer todas as técnicas de gestão e ainda assim procrastinar uma decisão, evitar uma conversa difícil ou repetir um padrão que prejudica a equipe”, afirma Saulo.

A constatação ganhou força durante uma formação comportamental conduzida pelo profissional. Pessoas de diferentes áreas e trajetórias relataram dificuldades semelhantes: autossabotagem, falta de consistência, perfeccionismo, dificuldade de transformar objetivos em ação e repetição de comportamentos que elas próprias já reconheciam como prejudiciais. Mais do que o conteúdo aprendido, os relatos apontaram para um fenômeno comum: muitas delas já sabiam o que precisava mudar. A dificuldade estava em sustentar um comportamento diferente.

Foi o caso de Miriam Torres. Ela conta que durante muito tempo viveu a frustração de ter clareza sobre aquilo que deveria fazer, começar uma mudança e, pouco depois, retornar ao mesmo padrão. “O maior aprendizado que vou levar para a vida é que clareza e motivação, sozinhas, não transformam ninguém. O que realmente muda a nossa vida é o comportamento. Se eu não mudar a forma como ajo todos os dias, nada muda”, relata.

A experiência também apareceu de outra forma no depoimento da profissional Kamila Ziliotto. Ela identificou um pensamento recorrente, “ou faz tudo ou não faz nada”, que acabava impedindo sua evolução, especialmente no ambiente profissional. Ao perceber o padrão, passou a valorizar uma ação concreta em lugar da espera pelo cenário ideal. Já o estrategista comercial e engenheiro de Inteligência Artificial Márcio Zimermann descreveu a formação como “transformadora” e destacou a possibilidade de converter frustração, gatilhos, autossabotagem e falta de clareza em movimento. Para ele, as ferramentas aprendidas passaram a ser utilizadas no trabalho, com clientes e na própria vida.

Segundo Saulo, esses relatos ajudam a explicar por que profissionais tecnicamente preparados podem continuar travados diante de decisões aparentemente simples. “Conhecimento não garante execução. Às vezes, a pessoa sabe exatamente onde quer chegar, mas tenta construir a mudança dependendo de motivação ou de uma transformação enorme de uma só vez. Quando trabalhamos o comportamento possível hoje, diminuímos a distância entre intenção e resultado”, explica.

Uma das estratégias utilizadas por ele é o chamado Comportamento Mínimo Viável, CMV, baseado na definição de uma ação pequena o suficiente para ser executada e consistente o bastante para iniciar uma mudança. A lógica confronta a cultura das grandes promessas e das transformações imediatas. Em vez de esperar motivação, condições perfeitas ou uma mudança radical, a proposta é identificar qual comportamento pode ser realizado agora e repetido até que produza evolução.

Para Saulo, essa discussão se torna ainda mais relevante em um ambiente empresarial dominado pela Inteligência Artificial. “A tecnologia pode entregar informação, organizar dados, sugerir estratégias e acelerar processos em segundos. Mas ela não entra em uma reunião difícil pelo líder, não dá o feedback que ele está adiando e não executa a decisão pessoal que ele sabe que precisa tomar. Quanto mais tecnologia tivermos à disposição, mais evidente ficará o valor do comportamento humano”, conclui.

Serviço: Saulo Coelho

Terapeuta Comportamental de Líderes

@saulocoelhopontocom

Atendimento vira fator de sobrevivência no varejo

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Levantamento da ROX com 3,5 mil avaliações de cliente oculto mostra que 61% das marcas começam em níveis preocupantes de atendimento e aponta impacto da melhora da experiência sobre vendas e recompra

Em um cenário de pressão sobre o varejo brasileiro, um problema que muitas empresas ainda tratam como subjetivo pode estar afetando diretamente vendas, recompra e fidelização: o atendimento. Levantamento da ROX Consultoria, realizado a partir de 3.500 avaliações de cliente oculto nos últimos 12 meses, mostra que 61% das marcas avaliadas chegam à primeira análise apresentando falhas relevantes na experiência oferecida ao consumidor.

A empresa classifica os resultados das avaliações em quatro níveis de maturidade: Zona Crítica, Zona Atenção, Zona Neutra e Zona ROX, sigla para Return on Experience, conceito utilizado pela consultoria para relacionar a qualidade da experiência proporcionada ao cliente aos resultados do negócio. Na primeira avaliação, antes de qualquer processo de ajuste, 28% das marcas analisadas estão na Zona Crítica e 33% na Zona Atenção. Apenas 9% já começam na Zona ROX.

Para Gustavo Henrique Campos Nunes, da ROX Consultoria, o problema é que muitas empresas descobrem uma deterioração na experiência somente depois que ela começa a aparecer nos indicadores financeiros. “O cliente não avisa que decidiu não voltar. Ele simplesmente deixa de comprar. Quando uma empresa olha apenas para faturamento, pode perceber o problema tarde demais. O cliente oculto permite enxergar o que está acontecendo na operação antes que a perda de experiência se transforme definitivamente em perda de receita”, explica.

Os dados da ROX mostram também que atendimento não é um indicador imutável. Entre empresas submetidas a pelo menos três ciclos de avaliação, retorno e ajustes, realizados ao longo de aproximadamente seis meses, a participação das marcas nas zonas Crítica e Atenção cai de 61% para 22%. Ao mesmo tempo, a parcela que alcança a Zona ROX passa dos 9% iniciais para 31%, mais de três vezes o patamar registrado na primeira avaliação.

A transformação, entretanto, não acontece de uma semana para outra. Segundo o levantamento, uma marca leva, em média, três a quatro meses de trabalho contínuo para deixar a Zona Crítica. Para Gustavo, esse período mostra por que avaliações pontuais dificilmente conseguem mudar uma cultura de atendimento. “Medir uma vez produz uma fotografia. O que transforma a operação é o ciclo: medir, identificar a falha, devolver a informação para a gestão, corrigir, treinar e medir novamente. Quando isso se torna recorrente, a empresa consegue verificar se o comportamento realmente mudou na ponta”, afirma.

Melhora chega ao caixa

Um dos resultados mais relevantes do levantamento aparece quando a evolução do atendimento é comparada aos indicadores comerciais. Entre clientes que saíram da Zona Atenção e chegaram à Zona ROX, a consultoria registrou aumento médio de 23% no ticket médio e de 31% na taxa de recompra, dentro dos quatro meses seguintes à mudança de classificação.

No grupo de empresas em que o faturamento por loja também era acompanhado, houve crescimento médio de 14%, sem alteração relevante de preço ou mix de produtos durante o período analisado.

“Existe uma tendência de associar crescimento de venda quase exclusivamente a preço, promoção, mídia ou aquisição de novos clientes. Os nossos dados mostram outra variável que precisa entrar nessa discussão: o que acontece quando o consumidor já está dentro da loja, falando com o vendedor ou tentando ser atendido por um canal digital. Há receita sendo conquistada ou perdida justamente nesse momento”, observa Gustavo.

A percepção do consumidor acompanha essa evolução. Entre as empresas da base da ROX que monitoram continuamente o NPS, a média antes do início do programa de cliente oculto era de 32 pontos. Depois de três ciclos completos de avaliação e correção, passou para 58 pontos.

Venda adicional é maior falha

O levantamento também identificou onde estão alguns dos principais gargalos do atendimento. O item com maior índice de reprovação é a oferta de produtos ou serviços adicionais durante a venda, ausente ou inadequada em 72% dos atendimentos avaliados. Logo depois aparece o follow-up de pós-venda, com falhas em 67% das avaliações. A abordagem inicial do vendedor demonstrando interesse pelo consumidor apresenta índice de falha de 59%, enquanto o tempo de resposta nos canais digitais é inadequado em 54% dos casos analisados.

Para Gustavo, os números revelam oportunidades que muitas vezes independem de grandes investimentos. “Estamos falando de situações muito básicas da jornada: receber bem, demonstrar interesse, entender a necessidade, oferecer algo complementar quando fizer sentido e voltar a falar com aquele consumidor depois da compra. Muitas empresas investem fortemente para trazer uma pessoa até a marca e perdem oportunidades justamente depois que ela chegou”, avalia.

Desempenho varia por setor

A análise das 3.500 avaliações também encontrou diferenças importantes entre segmentos. Farmácias e produtos de saúde apresentam a maior aderência média aos critérios avaliados, com 68%, seguidos pelo setor de alimentação, com 61%. O segmento de moda registra 54%, enquanto eletroeletrônicos aparece com 49% de aderência média ao checklist, o menor desempenho entre os setores destacados no levantamento.

Segundo Gustavo, mais importante do que comparar empresas de segmentos diferentes é acompanhar a evolução da própria operação. Uma rede pode descobrir, por exemplo, unidades com comportamentos completamente distintos mesmo seguindo os mesmos processos, treinamentos e padrões definidos pela matriz.

“Uma marca não é aquilo que está escrito no manual de atendimento. Para o consumidor, a marca é aquilo que acontece quando ele entra na loja, manda uma mensagem, pede ajuda ou tem um problema. Se a promessa da empresa não chega à ponta, existe uma distância entre a marca que a gestão acredita ter construído e aquela que o cliente realmente experimenta”, afirma.

Para o executivo, em um ambiente de maior pressão sobre margens e necessidade de retenção, medir atendimento deixa de ser apenas uma ferramenta de controle de qualidade. “Em momentos difíceis, conquistar novos clientes tende a ficar ainda mais caro. Fazer quem já entrou comprar melhor, voltar e recomendar a marca passa a ter um peso enorme. Atendimento não resolve sozinho uma crise empresarial, mas ignorar o que acontece na experiência do cliente significa administrar uma parte importante do negócio sem dados”, conclui Gustavo Henrique Campos Nunes.

Serviço: ROX Consultoria – Cliente oculto

Gustavo Nunes

Gestor Comercial

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Estresse sob controle

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No Dia de Combate ao Estresse, neurocientista explica por que essa resposta é necessária e como impedir que o estado de alerta permanente prejudique desempenho e qualidade de vida

O coração acelera, a atenção aumenta, o organismo entra em estado de prontidão e, por alguns instantes, parece que todos os sentidos estão voltados para resolver uma situação. Nem sempre isso é ruim. O estresse faz parte dos mecanismos naturais que ajudaram o ser humano a enfrentar ameaças e continua tendo uma função importante na vida moderna. O problema começa quando aquilo que deveria ser uma resposta pontual transforma-se praticamente em um modo permanente de funcionamento.

No Dia de Combate ao Estresse, lembrado em 23 de setembro, o neurocientista e hipnólogo Renê Skaraboto, terapeuta de alta performance, do Instituto e Clínica Hipnose para Todos, em Curitiba, chama atenção para uma mudança de perspectiva: o objetivo não deve ser viver sem nenhum estresse, mas desenvolver recursos para que o cérebro saiba entrar e, principalmente, sair do estado de alerta. “O estresse não é necessariamente nosso inimigo. Em determinados momentos, ele aumenta nossa prontidão para agir, enfrentar desafios e buscar soluções. O problema é quando o cérebro passa a interpretar quase tudo como ameaça e a pessoa vive como se precisasse estar pronta para uma batalha o tempo inteiro”, explica.

A Organização Mundial da Saúde define o estresse como uma resposta humana natural diante de situações difíceis, desafios e ameaças e ressalta que todas as pessoas experimentam algum grau dele. Em pequenas doses, pode inclusive ajudar na realização das atividades cotidianas. Quando excessivo, entretanto, pode afetar mente e corpo, dificultando o relaxamento e a concentração e favorecendo irritabilidade, alterações do sono, dores de cabeça, desconfortos físicos e mudanças no apetite.

Os números mostram que aprender a lidar com essa resposta se tornou um desafio contemporâneo. Pesquisa Ipsos Health Service 2025 apontou que 31% dos brasileiros afirmaram ter se sentido, no ano anterior, estressados a ponto de acreditar que não conseguiriam lidar com as situações enfrentadas. Outros 39% disseram ter experimentado essa sensação diversas vezes. Entre os mais jovens, o tema também chama atenção: 37% dos integrantes da Geração Z citaram o estresse como um dos principais problemas de saúde, contra 25% entre os Boomers.

Segundo Skaraboto, uma das diferenças importantes está entre o estresse que mobiliza e aquele que começa a consumir recursos físicos e emocionais. Um prazo, uma apresentação importante, uma competição ou um novo desafio profissional podem gerar tensão e, ao mesmo tempo, estimular foco e ação. Já a exposição contínua a preocupações, cobranças, conflitos e sensação de ameaça pode manter o organismo ativado mesmo quando não existe uma emergência real. “Alta performance não significa estar acelerado o tempo inteiro. Performance sustentável é conseguir mobilizar energia quando ela é necessária e recuperar-se depois. Uma mente permanentemente em alerta não necessariamente produz mais, muitas vezes ela apenas se desgasta mais”, afirma.

Algumas atitudes cotidianas ajudam a regular essa resposta. A primeira é movimentar o corpo, incorporando atividade física à rotina. A segunda é proteger o sono, mantendo horários mais regulares e criando um período de desaceleração antes de dormir. A terceira é introduzir pequenas pausas conscientes ao longo do dia, especialmente entre atividades de alta exigência. A quarta é preservar vínculos e momentos de convivência, evitando transformar produtividade em isolamento. E a quinta é aprender a reconhecer os próprios gatilhos, percebendo quais situações, pensamentos e padrões mantêm o organismo constantemente em estado de alerta.

Para o neurocientista, essa percepção é especialmente importante porque nem sempre o excesso de estresse aparece como uma crise evidente. Ele pode surgir na dificuldade de desligar do trabalho, na irritação frequente, na sensação de urgência constante, no sono pouco reparador ou até na incapacidade de aproveitar momentos que deveriam ser de descanso. “Quando uma pessoa começa a observar como reage, ela ganha possibilidade de escolha. Em vez de simplesmente responder automaticamente a cada estímulo, pode aprender novas formas de interpretar e enfrentar determinadas situações. É aí que começamos a transformar reação em autorregulação”, destaca.

Mais do que reservar um único dia para falar sobre o problema, o 23 de setembro pode funcionar como um convite para observar o próprio ritmo. Afinal, eliminar desafios, cobranças e imprevistos da vida é impossível. Aprender a responder melhor a eles é uma habilidade que pode ser desenvolvida. “Não precisamos buscar uma vida sem estresse. Precisamos construir uma mente preparada para enfrentar pressão sem permanecer aprisionada nela. Quando conseguimos direcionar nossa energia para aquilo que podemos controlar e também aprendemos a recuperar corpo e mente depois dos desafios, o estresse deixa de comandar nossa vida e passa a ser uma resposta que sabemos administrar”, conclui Skaraboto.

Serviço: Instituto e Clínica Hipnose para Todos

Renê Skaraboto

Neurocientista e Hipnoterapeuta

(41) 99692-9774

@hipnose_para_todos

www.clinicahipnoseparatodos.com.br

Rua Desembargador Westphalen, 15, sala 604, 6º andar, Ed. Dante Aliguieri, Centro, Curitiba/PR.

Golpe mira precatórios

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Fraudes usam nomes de advogados, falsos pedidos de taxas e até documentos que imitam tribunais para enganar credores

O aumento das negociações envolvendo precatórios também abriu espaço para um tipo de crime que explora justamente quem passou anos esperando para receber um direito reconhecido pela Justiça. Golpistas têm se passado por advogados, escritórios e até representantes do Judiciário para informar falsamente que o dinheiro está disponível, condicionando a liberação do crédito ao pagamento de taxas, impostos ou supostas custas processuais.

Para a advogada Tayssa Ozon, da Ozon & Tommasi Advocacia Previdenciária, em Curitiba, uma orientação deve ser tratada como regra básica de segurança: desconfiar de qualquer pedido de pagamento antecipado para a liberação do precatório. “O credor nunca deve transferir dinheiro para uma pessoa ou empresa que prometa liberar o precatório mediante pagamento antecipado. Diante de qualquer cobrança inesperada, interrompa a conversa e confirme a informação diretamente com o advogado responsável pelo processo, utilizando os canais que você já conhece”, alerta.

A preocupação ganhou dimensão nacional. O Conselho Nacional de Justiça e tribunais de diferentes regiões do país vêm alertando para golpes nos quais criminosos utilizam informações verdadeiras sobre processos e advogados para tornar a abordagem mais convincente. Em alguns casos, os fraudadores usam o nome e a fotografia do profissional que efetivamente representa o credor, criam perfis falsos no WhatsApp e informam que houve uma movimentação favorável no processo. Em seguida, apresentam uma cobrança que precisaria ser paga rapidamente para que o dinheiro fosse liberado.

É justamente a mistura entre informações verdadeiras e uma solicitação fraudulenta que torna esse tipo de golpe especialmente perigoso. “Hoje o golpista pode saber o nome do advogado, o número do processo e até detalhes do precatório. Isso não significa que aquela pessoa seja quem diz ser. Mudança repentina de telefone, pressão para pagamento imediato, chave PIX em nome de terceiros e pedidos de senha ou dados bancários devem acender um sinal de alerta. A confirmação precisa ser feita por um canal oficial e independente daquele utilizado na abordagem”, explica Tayssa.

Outro golpe recorrente envolve a cobrança de uma suposta “taxa de liberação”, custas de última hora ou impostos que deveriam ser pagos antes do recebimento do precatório. O Tribunal de Justiça do Paraná já alertou para tentativas de fraude relacionadas ao pagamento de precatórios e orienta os cidadãos a não realizarem depósitos solicitados por contatos suspeitos. O TJPR também mantém um sistema oficial de consulta, por meio do qual o credor pode verificar informações relacionadas ao seu precatório.

As propostas de compra do crédito também exigem atenção. A cessão de precatórios é permitida pela Constituição Federal, mas uma oferta aparentemente vantajosa não dispensa cuidados básicos. Antes de fornecer documentos ou assinar qualquer instrumento, o credor deve verificar quem está do outro lado da negociação, incluindo a existência da empresa, CNPJ, endereço, responsáveis pela operação e todas as condições financeiras envolvidas. “Uma negociação séria precisa deixar absolutamente claro quanto o credor receberá, qual será o deságio, quais descontos incidirão sobre a operação e como a cessão será formalizada. E existe uma pergunta muito simples que pode evitar muita dor de cabeça: se alguém quer comprar o seu crédito, por que você precisaria pagar antecipadamente para vender?”, questiona a advogada.

A possibilidade de cessão está prevista no artigo 100 da Constituição Federal, que permite ao credor transferir seus créditos em precatórios a terceiros sem necessidade de concordância do devedor, observadas as regras aplicáveis à operação. A comunicação da cessão ao tribunal e ao ente devedor integra os cuidados jurídicos necessários para que a mudança de titularidade produza seus efeitos. Quando a transferência fraudulenta já ocorreu, agir rapidamente pode aumentar as chances de recuperação dos valores. A vítima deve comunicar imediatamente sua instituição financeira e registrar boletim de ocorrência. Nas fraudes realizadas por PIX, também é possível solicitar ao banco a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, o MED, criado pelo Banco Central para situações de fraude. A devolução, porém, não é automática nem garantida. O advogado responsável pelo precatório também deve ser informado para avaliar outras providências jurídicas cabíveis.

Para Tayssa, uma das formas mais eficientes de proteção é justamente quebrar o principal mecanismo utilizado pelos criminosos: a urgência. “Precatórios podem representar valores importantes e, muitas vezes, são o resultado de anos de espera. O golpista sabe disso e usa a expectativa de receber o dinheiro para fazer a vítima agir sem pensar. Por isso, se alguém disser que você precisa transferir um valor imediatamente ou perderá o precatório, desconfie. Antes de pagar, enviar documentos ou fornecer qualquer informação pessoal, pare e confirme. Alguns minutos de verificação podem evitar a perda de um patrimônio esperado durante anos”, conclui.

 Serviço: Ozon & Tommasi Advocacia Previdenciária

Dra. Tayssa Ozon – Advogada Previdenciarista – OAB/PR 50.520

(41) 3022-1240 | (41) 98831-8630

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