Escassez de talentos atinge 80% das empresas e acirra disputa por lideranças no Brasil
Com desemprego de apenas 2,5% entre profissionais qualificados, empresas enfrentam dificuldade para encontrar executivos que reúnam conhecimento técnico, visão de negócio e capacidade de liderar transformações
Encontrar profissionais qualificados é um dos principais desafios das empresas brasileiras em 2026. Oito em cada dez empregadores (80%) relatam dificuldade para contratar talentos com as competências necessárias, acima da média mundial de 72%, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup. Nas empresas brasileiras com 1.000 a 4.999 funcionários, o índice chega a 90%.
O desafio aumenta nas posições de liderança. Com taxa de desemprego de apenas 2,5% entre profissionais qualificados, segundo dados do IBGE analisados pela Robert Half, as empresas disputam um grupo reduzido de candidatos. Pesquisa da consultoria mostra ainda que 84% dos gestores de contratação enfrentam dificuldades para preencher posições em aberto.
Para Diego Godoy, especialista em recrutamento executivo e sócio da MUUDA.work, a questão não está apenas na quantidade de profissionais disponíveis, mas nas competências exigidas. “As empresas buscam líderes que reúnam experiência técnica, visão estratégica, gestão de pessoas, entendimento de tecnologia e aderência à cultura da organização. Quanto mais estratégica a posição, mais específica é essa combinação e menor o universo de candidatos”, explica.
Ainda segundo a pesquisa do ManpowerGroup, a escassez atinge diferentes setores: 85% dos empregadores de Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos relatam dificuldade para contratar, assim como 83% das empresas de Informação e 79% das organizações de Manufatura, Comércio e Logística, Hospitalidade, Serviços Públicos e Recursos Naturais.
Sucessão preocupa empresas
O problema vai além das vagas abertas. Pesquisa da Robert Half divulgada em 2026 mostra que 78% dos gestores estão preocupados em encontrar sucessores capazes de sustentar seus negócios até 2035. A falta de profissionais preparados internamente pode levar as empresas a buscar executivos somente quando uma posição estratégica fica vaga. “Sucessão não deveria começar a ser discutida quando um executivo anuncia que está saindo. É preciso identificar posições críticas, desenvolver potenciais sucessores e conhecer o mercado previamente. Começar uma busca do zero somente quando a cadeira fica vazia vai gerar um impacto enorme no negócio”, afirma Godoy.
Como resposta à escassez, 44% dos empregadores brasileiros investem em capacitação e requalificação dos próprios colaboradores, segundo o ManpowerGroup. Outros 25% buscam profissionais em novos grupos de talentos e 18% ajustam salários para aumentar a competitividade das vagas.
Busca por executivos exige estratégia
Para posições de média e alta liderança, o recrutamento também difere dos processos tradicionais. Muitos executivos estão empregados e não procuram ativamente uma nova posição, o que exige busca ativa e mapeamento do mercado, incluindo concorrentes e setores correlatos. “O desafio não é receber muitos currículos, mas chegar às pessoas certas. É preciso mapear o mercado, identificar quem reúne as competências necessárias e fazer uma abordagem e entender a demanda de cada empresa, cada segmento, cada geografia. Além disso, o processo precisa ser ágil, porque os profissionais mais disputados em grande maioria estão sempre sendo abordados para outras oportunidades”, destaca Godoy.
A velocidade é outro desafio: 80% dos gestores citam a dificuldade de encontrar candidatos qualificados, 72% de atrair profissionais com habilidades especializadas ou de nicho e 64% apontam a necessidade de contratar mais rapidamente, segundo a Robert Half.
Para Godoy, o cenário exige planejamento. “As empresas precisam trabalhar em duas frentes: desenvolver quem já está dentro e conhecer continuamente os talentos disponíveis no mercado. Quanto mais afinado esse trabalho, menor o risco de uma posição estratégica ficar descoberta quando a organização mais precisa dela”, conclui.

