Delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, José Aparecido Jacovós relata a participação da unidade na Operação Cangaço e apresenta os primeiros resultados da investigação contra grupo ligado a ataques a instituições financeiras.
O delegado José Aparecido Jacovós, chefe da 17ª Subdivisão Policial (17ª SDP) de Apucarana, informou que participa da Operação Cangaço, deflagrada nesta quinta-feira, 21 de janeiro de 2016, contra uma quadrilha investigada por ataques violentos a bancos, cooperativas e caixas eletrônicos no Paraná.
Segundo Jacovós, a ação reúne diferentes setores das forças de segurança e busca cumprir mandados contra suspeitos apontados pela investigação como integrantes de uma organização envolvida em ataques a instituições financeiras.
O delegado relatou que a operação cumpria 22 mandados de prisão e 44 mandados de busca e apreensão, em sete cidades do Paraná. O balanço inicial apontava 20 presos. No dia seguinte, o número chegou a 21 pessoas presas.
Jacovós detalha investigação
De acordo com Jacovós, o trabalho vinha sendo desenvolvido de forma integrada entre a 17ª SDP de Apucarana, o setor de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o Diep de Maringá e o serviço reservado da Polícia Militar de Londrina.
O delegado afirmou que os investigadores relacionavam o grupo a uma sequência de ataques praticados nos meses anteriores.
“Eles são responsáveis por 16 roubos somente em bancos nos últimos seis meses”, afirmou Jacovós.
Segundo ele, as informações reunidas pelas equipes permitiram estabelecer vínculos entre ocorrências registradas em diferentes municípios e identificar semelhanças no modo de atuação dos criminosos.
Grupo é relacionado a 22 ataques
Jacovós informou que os presos eram investigados por envolvimento em pelo menos 22 assaltos a bancos e uma agência dos Correios, praticados em 16 ações. Dez desses ataques ocorreram em municípios da região de Apucarana e do Vale do Ivaí.
Ainda segundo as informações apresentadas durante a operação, a estimativa dos investigadores era de que a quadrilha pudesse ter levado quase R$ 4 milhões das instituições atacadas.
Jacovós explicou que Ortigueira aparecia nas investigações como uma das bases de atuação do grupo. Entre as cidades relacionadas aos crimes estavam Ortigueira, Rio Bom, Rosário do Ivaí, São Pedro do Ivaí, Imbaú, Tibagi, Ponta Grossa, Reserva, Tamarana e Curiúva.
Borrazópolis foi ponto importante da apuração
Segundo Jacovós, a apuração ganhou força depois de um ataque registrado em Borrazópolis, em julho de 2015.
Naquela ação, criminosos atacaram uma unidade do Sicredi e uma agência do Banco do Brasil. De acordo com as informações repassadas pelo delegado, homens armados, usando máscaras e coletes, renderam mais de 30 pessoas e obrigaram as vítimas a formar um cordão humano.
Jacovós disse que, a partir desse episódio, as equipes passaram a cruzar informações sobre outros ataques com características semelhantes registrados no Paraná.
Retroescavadeiras e armamento pesado
O delegado relatou que a forma de atuação do grupo chamava a atenção pelo emprego de violência, armamento pesado e métodos pouco comuns.
Segundo Jacovós, além de explodir caixas eletrônicos, integrantes da quadrilha utilizavam retroescavadeiras para derrubar paredes de agências e retirar cofres.
Ele informou ainda que um funcionário público da Prefeitura de Ortigueira estava entre os presos e era suspeito de ter operado uma retroescavadeira utilizada em um dos ataques no município.
Jacovós também relatou a apreensão de drogas, armas, veículos, pistolas, metralhadoras, munições, farda camuflada, balança de precisão, cigarros, celulares, pendrives, máscaras e computadores.
Suspeito morre durante operação
Segundo as informações repassadas por Jacovós sobre a operação, Fabiano de Jesus Pereira Ortis, de 27 anos, apontado pelos investigadores como uma das lideranças do grupo, morreu durante uma ação em Mauá da Serra.
A versão policial apresentada naquele momento indicava que o suspeito teria reagido à abordagem. Os policiais apreenderam com ele uma metralhadora e uma pistola calibre .40.
As circunstâncias do confronto deverão integrar os procedimentos policiais relativos ao caso.
Curiúva também aparece na investigação
Jacovós informou que um dos ataques investigados ocorreu em Curiúva, poucos dias antes da deflagração da Operação Cangaço.
Segundo o relato apresentado pelas forças de segurança e reproduzido pelo delegado, houve troca de tiros após o roubo e os criminosos usaram reféns durante a fuga.
Seis pessoas foram colocadas na caçamba de uma caminhonete e outra foi levada sobre o capô do veículo. Posteriormente, todos foram libertados sem ferimentos nas proximidades da PR-160.
Investigação segue
Jacovós afirmou que a operação não encerrava o trabalho policial. As equipes ainda analisariam materiais apreendidos, depoimentos e informações obtidas durante as diligências.
Segundo ele, a investigação busca individualizar a participação de cada suspeito e esclarecer quais ataques podem ser atribuídos ao mesmo grupo.
O delegado destacou que a atuação ocorreu de forma integrada entre a 17ª SDP de Apucarana e os demais setores de inteligência envolvidos na Operação Cangaço.