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Muito além do chip da beleza

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Muito além do chip da beleza

Natália Piovani Banzato*

Você, com certeza, nos últimos meses já ouviu falar do famoso “chip” da beleza. Artistas e influenciadoras digitais relatam o uso do “chip” e melhora da celulite, perda de peso e ganho de massa muscular. Mas, será que isso é possível mesmo?  Apenas um “chip” inserido em consultório médico poderia trazer tantos benefícios? Infelizmente a resposta é não, por isso, vamos esclarecer os mitos que rodeiam o uso do chip da beleza. 

O termo “chip da beleza” é conhecido como o implante de Gestrinona, que foi desenvolvido há cerca de 40 anos e ganhou esse nome pelos possíveis efeitos benéficos que traria ao corpo da mulher. É tradicionalmente usado por modelos, influenciadoras e outras mulheres que dependem da forma física. 

Os implantes hormonais, sejam eles de Gestrinona ou outros hormônios, são inseridos no tecido subcutâneo, ou seja, sob a pele, em consultório médico, com anestesia local, normalmente nas nádegas, e liberam gradualmente determinada substância hormonal. No Brasil, são comercializadas duas formas de implante: os absorvíveis (que não precisam ser retirados e apresentam durabilidade em torno de 5 meses) e os inabsorvíveis (que devem ser retirados ao final de um ano de tratamento).

Entretanto, precisamos entender o que é esse hormônio e como ele funciona. A Gestrinona é uma substância hormonal sintética da família das progesteronas, semelhantes às que são utilizadas como anticoncepcionais, causando um bloqueio dos ciclos menstruais. Além disso, tem como efeito colateral uma forte ação androgênica, aumentando os níveis naturais de testosterona, e, por isso, pode favorecer o ganho de massa muscular, queima de gordura, perda de peso e aumento do libido. 

A Gestrinona na forma oral não é uma substância nova. Ela é uma velha aliada dos médicos ginecologistas no tratamento de algumas doenças dependentes de estrogênio, como a endometriose, miomatose uterina e adenomiose – no organismo, ela atua inibindo o estrogênio, limitando sua atuação, ao mesmo tempo em que estimula a produção de testosterona.

O uso dos implantes hormonais não é proibido no Brasil, mas deve ser inserido com indicações formais e nunca com fim estético. As sociedades de Ginecologia e Endocrinologia indicam o uso com cautela, exclusivamente com o fim de tratar doenças ginecológicas, e apenas se for uma decisão conjunta da paciente com seu ginecologista, de que é a melhor opção de tratamento. 

Infelizmente, todos os dias recebemos no consultório pacientes desejando a inserção do implante, sem indicação médica, apenas almejando os possíveis efeitos de melhora da composição corporal. Sempre reforço às pacientes que os benefícios do uso do “chip” são para pessoas magras e com hábitos saudáveis diários, como observamos pelas artistas e influenciadoras digitais que utilizam o implante de gestrinona. Nenhum tratamento isolado para perda de peso funciona. 

Como todo medicamento, os efeitos indesejados também são observados: inchaço, queda de cabelo, aumento de acne e pêlos corporais, além da piora dos níveis de colesterol, devido ao aumento dos níveis de testosterona. Muitos desses efeitos são reversíveis e, com o término do uso do implante, desaparecem.

*Natália Piovani Banzato, ginecologista e obstetra, é professora do curso de Medicina da Universidade Positivo (UP).

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