Escolas brasileiras já mudam cardápios enquanto Congresso discute limite a ultraprocessados no ambiente escolar.
Diante de um cenário que já é tratado como alerta global, a obesidade infantil ganha cada vez mais espaço nas agendas públicas — e o Brasil acompanha esse movimento. Em análise no Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 4501/2020 propõe restringir a presença de alimentos ultraprocessados nas escolas, colocando o ambiente escolar no centro de uma estratégia de prevenção.
A discussão avança em paralelo a experiências concretas já implementadas no país. Em quatro estados brasileiros (SP, PR, SC e RS), mais de 1,5 milhão de alunos das redes federal, estadual e municipal passaram a receber, no lanche escolar, barrinhas de frutas sem adição de açúcar, em substituição a itens como biscoitos recheados, bolos industrializados e balas.
Produzidas pela Polpa Brasil, com sede em Fraiburgo (SC), as barrinhas da marca Merendô! preservam nutrientes e sabores naturais, sem adição de açúcar ou conservantes — um exemplo prático de como alternativas mais saudáveis já são viáveis em larga escala.
Escola como formadora de hábitos
A centralidade da escola nesse debate não é por acaso. Para muitos estudantes, especialmente aqueles em período integral, boa parte das refeições ocorre dentro do ambiente escolar — o que amplia o impacto das escolhas alimentares oferecidas.
“Considerando que os alunos passam cinco dias da semana na escola, esse ambiente exerce influência direta na formação dos hábitos alimentares. Garantir cardápios mais saudáveis nesse contexto é uma medida estratégica”, afirma a nutricionista Andressa Meira, que integra a equipe comercial da Merendô!.
Segundo ela, o contato frequente com alimentos naturais pode estimular mudanças progressivas no comportamento alimentar das crianças. “Produtos como as barrinhas de fruta ajudam a diversificar o consumo e podem facilitar a aceitação, inclusive entre alunos com maior seletividade alimentar”, explica.
Um problema em escala global
A urgência do tema é reforçada por dados recentes. Relatório do UNICEF aponta que 1 em cada 5 crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo está acima do peso — o equivalente a 391 milhões de jovens. Entre 2000 e 2025, a taxa global de obesidade infantil saltou de 3% para 9,4%.
Pela primeira vez, o excesso de peso supera a desnutrição como principal forma de má nutrição nessa faixa etária.
Nesse cenário, a escola se consolida como um dos principais pontos de intervenção — não apenas pela oferta de alimentos, mas pelo seu papel na formação de comportamento.
O que muda com o projeto de lei
O Projeto de Lei nº 4501/2020 propõe medidas práticas para transformar esse cenário, incluindo a obrigatoriedade de oferta de opções saudáveis nas cantinas escolares. Entre as diretrizes, está a exigência de pelo menos três alternativas nutritivas por dia.
Mas o que caracteriza, de fato, um lanche saudável?
De acordo com a nutricionista Andressa Meira, a composição deve equilibrar fibras, proteínas e carboidratos complexos. “Uma fruta in natura combinada com um sanduíche natural, por exemplo, já atende a esses critérios. A prioridade deve ser sempre por alimentos in natura ou minimamente processados”, orienta.
A proposta está alinhada ao Guia Alimentar para a População Brasileira, que recomenda a redução do consumo de ultraprocessados como estratégia para melhorar a saúde da população.
Tecnologia amplia acesso a alimentos saudáveis
Um dos principais argumentos contra a adoção de cardápios mais naturais sempre foi a dificuldade de escala, armazenamento e custo. No entanto, avanços tecnológicos têm reduzido essas barreiras.
“Hoje já existem soluções que permitem oferecer produtos minimamente processados com vida útil de até 12 meses, sem necessidade de refrigeração”, explica Andressa. “Isso viabiliza a distribuição em larga escala, mantendo qualidade nutricional e segurança alimentar.”
A experiência com a distribuição das barrinhas de fruta em diferentes estados reforça esse movimento e ajuda a desconstruir a ideia de que alimentos saudáveis são inviáveis fora de nichos específicos.
Sobre a Merendô!
A Merendô! é uma marca brasileira voltada ao desenvolvimento de soluções práticas e nutritivas para a alimentação escolar e o consumo cotidiano. Seu portfólio inclui barrinhas à base de frutas, sem adição de açúcares e conservantes, desenvolvidas para atender instituições de ensino, famílias e gestores públicos.
Alinhada às diretrizes da alimentação escolar, a empresa investe em processos produtivos que garantem padronização, segurança alimentar e regularidade no fornecimento. Atualmente, a marca atende cerca de 1,5 milhão de estudantes das redes públicas municipais, estaduais e federais nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo.