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Loccus lidera rodada de aporte de R$ 23 milhões em deeptech brasileira

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Loccus lidera rodada de aporte de R$ 23 milhões em deeptech brasileira

Investimento na Doroth amplia atuação da companhia em diagnóstico molecular e abre caminho para produção em escala de chips microfluídicos no Brasil

A Loccus, empresa brasileira de biotecnologia e diagnóstico molecular, liderou a rodada de investimento que captou R$ 23 milhões para a deeptech Doroth, especializada no desenvolvimento de plataformas lab-on-a-chip. A operação combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp e integra a estratégia da companhia de incorporar tecnologias consideradas estratégicas para o diagnóstico molecular e avançar na produção nacional de equipamentos, reagentes e consumíveis de maior complexidade.

Com o investimento, a Loccus incorpora ao seu ecossistema competências em microfluídica, sensores e automação, complementares às soluções que já desenvolve e produz. A companhia pretende usar sua capacidade industrial, regulatória e comercial para encurtar o caminho entre pesquisa, desenvolvimento e fabricação em escala.

“Estamos aproximando a capacidade científica de desenvolver novas tecnologias da estrutura necessária para transformá-las em produtos e levá-las ao mercado. A Loccus já reúne experiência em inovação, produção, regulação e comercialização e, agora, incorporamos competências especializadas em microfluídica e outras áreas complementares às nossas. Isso nos permite acelerar o desenvolvimento de soluções nacionais e criar condições para produzi-las em escala”, afirma Eduardo Araújo, CEO da Loccus.

Parte dos R$ 23 milhões será destinada à expansão da estrutura de pesquisa, desenvolvimento e produção, incluindo a implantação de uma indústria de chips microfluídicos com reagentes proprietários embarcados. A expectativa é reduzir o tempo entre o desenvolvimento, a validação e a chegada de novas soluções ao mercado.

O movimento fortalece e amplia a atuação já consolidada da Loccus em segmentos como saúde humana, saúde animal e agronegócio. A integração das tecnologias deverá contribuir para o desenvolvimento de novos testes e para o aumento da capacidade de fabricação de equipamentos, chips e reagentes no país.

Da pesquisa à escala industrial

A microfluídica acrescenta uma nova frente ao portfólio tecnológico da Loccus. Conhecida como lab-on-a-chip, a tecnologia permite reunir, em pequenos dispositivos, etapas que tradicionalmente dependem de diferentes processos e estruturas laboratoriais, como preparação de amostras, extração de material genético, amplificação e leitura de resultados.

Fundada em 2019 e sediada em Piracicaba (SP), a Doroth reúne conhecimento em biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação e software. A partir da operação, a deeptech ficará concentrada no desenvolvimento de produtos e na captação de recursos, enquanto a Loccus contribuirá com estrutura de fabricação, integração tecnológica, infraestrutura, conhecimento científico, suporte regulatório e canais de distribuição.

A combinação de competências busca enfrentar um dos principais gargalos das empresas brasileiras de base científica: transformar conhecimento desenvolvido no país em produtos com escala comercial. “Nosso objetivo vai além de financiar o desenvolvimento de uma tecnologia. Queremos criar as condições para que o conhecimento científico brasileiro se transforme em produto competitivo”, diz Araújo.

Estratégia mira cadeia nacional de diagnóstico

O investimento também está alinhado à estratégia de verticalização tecnológica da Loccus, que busca integrar diferentes etapas da cadeia de diagnóstico molecular. A companhia reúne competências que vão de enzimas e ensaios moleculares a sensores e equipamentos automatizados e, com a nova frente, passa a avançar também em consumíveis microfluídicos.

A fabricação local desses componentes pode reduzir a dependência de tecnologias e insumos importados e aumentar o controle sobre etapas estratégicas da cadeia produtiva.

Além da saúde humana e animal, o agronegócio está entre as frentes com potencial de expansão. As soluções desenvolvidas pela Doroth permitem identificar patógenos, microrganismos, organismos geneticamente modificados e genes de resistência em amostras como folhas, sementes, grãos, leite e carne.

As plataformas também podem ser aplicadas à identificação de agentes infecciosos em insetos vetores, com usos que vão da sanidade agrícola à saúde pública. Com a integração, a Loccus busca fortalecer sua atuação em diagnóstico molecular e aumentar a presença de tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil em uma cadeia ainda dependente de fornecedores externos.

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