Casal precisa dormir no mesmo tipo de colchão? Entenda como conciliar diferentes necessidades
Peso, altura, posição de dormir e preferência por superfícies mais firmes ou macias podem fazer com que duas pessoas tenham percepções diferentes de conforto
Dividir a cama não significa necessariamente ter as mesmas necessidades na hora de dormir. Enquanto uma pessoa prefere uma superfície mais firme, a outra pode se sentir melhor em um colchão mais macio. Diferenças de peso, altura, biotipo, posição adotada durante o sono e até percepção individual de conforto fazem com que o mesmo colchão possa proporcionar sensações bastante distintas para duas pessoas.
Segundo Jarbas Carneiro, diretor da Carneiro Colchões Artesanais, esse é um dos principais pontos que devem ser considerados por casais na escolha de um colchão. “É muito comum o casal chegar à loja procurando um colchão e descobrir que cada um tem uma percepção completamente diferente. Um deita e acha confortável, enquanto o outro considera firme ou macio demais. Isso acontece porque conforto é muito individual e o colchão reage de maneira diferente de acordo com o peso e o corpo de quem está sobre ele”, explica.
Uma pessoa mais pesada, por exemplo, exerce maior pressão sobre a superfície e tende a afundar mais nas camadas de conforto. Já alguém mais leve pode ter uma percepção diferente no mesmo produto. A posição em que cada um costuma dormir também interfere: quem dorme de lado distribui o peso de maneira diferente de quem passa a maior parte da noite de costas ou de bruços.
Por isso, um dos erros mais comuns é escolher o colchão considerando apenas a preferência de um dos parceiros. Para Carneiro, sempre que possível, os dois devem experimentar o produto antes da compra. “Não basta um escolher e o outro apenas concordar. O ideal é que os dois deitem, permaneçam alguns minutos no colchão e percebam como o corpo se acomoda. A escolha precisa funcionar para quem vai dividir aquela cama todas as noites”, afirma.
Outro ponto importante é não confundir firmeza com sustentação. Um colchão não precisa ser extremamente rígido para sustentar adequadamente o corpo, assim como uma superfície mais macia não significa necessariamente falta de suporte. A estrutura interna e as diferentes camadas que compõem o produto têm funções distintas.
“É possível ter uma sensação de acolhimento na superfície e, ao mesmo tempo, uma estrutura interna que ofereça sustentação. Quando entendemos essa diferença, fica mais fácil encontrar um meio-termo para casais que têm preferências distintas”, explica Jarbas.
A independência de movimentos também pode fazer diferença para quem divide a cama. Sistemas com molas ensacadas individualmente permitem que cada mola responda de maneira mais independente à pressão exercida sobre ela, reduzindo a transferência de movimento de um lado para o outro. Na prática, quando uma pessoa se mexe ou levanta durante a noite, a movimentação tende a ser menos percebida pelo parceiro.
Na Carneiro Colchões Artesanais, alguns modelos utilizam 255 molas ensacadas por metro quadrado. “Quanto melhor o colchão consegue responder individualmente aos diferentes pontos de pressão, mais fácil é acomodar dois corpos com características distintas. Para o casal, isso também ajuda a evitar aquela sensação de que todo o colchão se movimenta quando apenas uma pessoa muda de posição”, explica.
Quando as diferenças de preferência são muito grandes, a escolha pode exigir uma análise ainda mais individualizada. Mais do que procurar simplesmente um colchão “duro” ou “macio”, a recomendação é considerar o conjunto formado pela estrutura interna, camadas de conforto e características físicas de quem vai utilizá-lo.
“O melhor colchão para um casal não é necessariamente aquele que agrada totalmente a uma pessoa ou à outra no primeiro contato. É aquele que consegue oferecer sustentação adequada e conforto para os dois. Por isso, experimentar juntos e conversar sobre o que cada um sente é parte importante da escolha”, completa Carneiro.