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Entre dobras e esperança, origamista autista produz mais de 4 mil tsurus para ação do Hospital Angelina Caron

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Entre dobras e esperança, origamista autista produz mais de 4 mil tsurus para ação do Hospital Angelina Caron

Maria Izabel Corrêa Guiraud encontrou no origami uma profissão e uma forma de expressar suas habilidades; agora, seu trabalho integra instalação do HAC sobre a espera por transplantes no Paraná

Uma folha quadrada, algumas dobras precisas e um símbolo de esperança começa a ganhar forma nas mãos de Maria Izabel Corrêa Guiraud. Autista e origamista profissional, ela assumiu um desafio de grandes proporções: produzir mais de 4 mil tsurus para a terceira edição da exposição Histórias de Transplantes, promovida pelo Hospital Angelina Caron (HAC). A mostra será realizada de 21 de setembro a 21 de outubro, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O trabalho de Maria Izabel será a base de uma instalação composta por 5 mil tsurus. As demais peças serão feitas em uma oficina aberta à comunidade, promovida pelo HAC, com a participação de colaboradores, pacientes e acompanhantes. Juntas, as dobraduras irão representar as mais de 5 mil pessoas que aguardam pela oportunidade de receber um órgão ou tecido no Paraná. A ação integra o Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, e marca também os 25 anos de atuação do hospital na área de transplantes.

Para Maria Izabel, cada peça reúne técnica, disciplina e significado. “Saber que meu trabalho pode dar visibilidade a essa causa me emociona, porque leva uma mensagem de esperança para as pessoas. O tsuru é um símbolo mundial de paz, esperança e saúde, e é emocionante pensar que minhas mãos podem ajudar a transformar papel nessa mensagem”, conta.

O encontro com o origami aconteceu ainda na infância, em momentos compartilhados com o avô e o pai. A brincadeira despertou o interesse pela possibilidade de transformar uma folha de papel em figuras, flores e animais. Mais tarde, a atividade também se tornou uma aliada para lidar com a epilepsia, por meio dos exercícios de concentração.

“Desde cedo me encantava essa ideia de transformar uma simples folha de papel em algo bonito e divertido. Com o tempo, ele foi se tornando também uma forma de lidar melhor com a epilepsia e foi ali, nesses exercícios de concentração, que a paixão nasceu e, aos poucos, virou profissão”, afirma.

O fascínio não está apenas na peça pronta. Para a origamista, o percurso entre a folha lisa e a forma final exige paciência, criatividade e presença. “Acho fascinante ver como, com simples dobras, um papel vai se transformando em algo que antes existia só na minha cabeça, um pássaro, uma flor. Aos poucos, fui percebendo que, com mais papéis e dobras mais complexas, dava para ir além e criar arte”, comenta.

No desafio proposto pelo Hospital Angelina Caron, essas competências ganharam escala. Produzir milhares de peças semelhantes requer constância e organização, sem perder a precisão que dá identidade a cada tsuru. Maria Izabel desenvolveu uma rotina pautada por planejamento, foco nos prazos e persistência. “Está sendo desafiador, mas também uma experiência muito especial. Quando o desafio aparece, eu me organizo, mantenho o foco nos prazos, busco a precisão nas dobras e sigo até chegar ao resultado que eu quero”, explica.

Autismo como parte da trajetória

Maria Izabel fala sobre o autismo a partir de sua experiência concreta, sem tratá-lo como barreira nem apagar os desafios que fazem parte da vida. No origami, ela reconhece características que favorecem o trabalho, como concentração, atenção aos detalhes e persistência. São habilidades que encontram espaço em uma atividade marcada por padrões, sequências e precisão.

“O autismo faz parte da minha trajetória como origamista de uma forma muito positiva e não como uma barreira. A concentração, a atenção aos detalhes e a persistência são características que me ajudam muito no origami, transformando desafios em foco e dedicação. Cada desafio superado me faz perceber que posso ir além do que imaginava”, diz.

A trajetória ajuda a ampliar o olhar sobre pessoas autistas e suas possibilidades profissionais. Mais do que uma ocupação, o origami tornou-se para ela um caminho de expressão, autonomia e reconhecimento das próprias capacidades. “Para mim, o origami se tornou uma ferramenta essencial de inclusão, autoconhecimento e superação e a prova de que aquilo que às vezes é visto como diferença pode ser, na verdade, o que me leva mais longe”, afirma.

Ao convidar Maria Izabel e a comunidade para construir a instalação, o Hospital Angelina Caron aproxima duas mensagens: a valorização das diferentes formas de criar e participar da sociedade e a urgência da conscientização sobre a doação de órgãos. O resultado será apresentado em um espaço de grande circulação, levando o tema para além dos corredores hospitalares.

A exposição Histórias de Transplantes foi criada pelo HAC para colocar pacientes e famílias no centro da conversa. Em vez de abordar a doação apenas por números, a iniciativa reúne relatos de pessoas transplantadas e chama atenção para a decisão que conecta duas famílias: uma que, em meio ao luto, autoriza a doação; e outra que recebe uma nova possibilidade de vida.

A experiência do Hospital Angelina Caron sustenta essa mobilização. Desde o início do serviço, em 2001, a instituição realizou 3.401 transplantes até 16 de agosto de 2026. Somente neste ano, até a mesma data, foram 98 procedimentos, incluindo transplantes de rim, fígado, coração, pâncreas-rim, córneas e medula óssea, além do transplante renal intervivos.

“Por trás de cada transplante existem duas famílias vivendo momentos profundamente diferentes: uma enfrenta a dor da perda e, em meio a ela, toma uma decisão de enorme generosidade; a outra recebe uma nova possibilidade de vida. É essa conexão que queremos tornar visível”, afirma Bernardo Caron, co-CEO do Hospital Angelina Caron. Segundo ele, falar sobre doação de órgãos dentro de casa é um gesto simples, mas capaz de mudar o destino de muitas pessoas.

No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora. Por isso, uma das principais mensagens da campanha do HAC é a importância de conversar previamente com familiares sobre essa decisão.

Quando os 5 mil tsurus ocuparem o saguão de embarque do aeroporto Afonso Pena, cada dobradura ajudará a tornar visível uma espera que envolve milhares de pessoas. Na maior parte delas estará também a marca do trabalho de Maria Izabel: a repetição transformada em arte, a diferença convertida em potência e um gesto individual integrado a uma ação coletiva do Hospital Angelina Caron em favor da vida. “Contribuir para uma exposição como Histórias de Transplantes reforça nosso papel como espaço de encontro e conscientização para temas que impactam toda a sociedade. Temos a satisfação de abrir as portas do maior aeroporto do Paraná para uma iniciativa que homenageia a esperança de quem aguarda um transplante, valoriza a trajetória dos pacientes transplantados e incentiva um gesto capaz de transformar vidas: a doação de órgãos”, declara o gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena, Éden Pisani Jr.

Serviço:

Histórias de Transplantes – Hospital Angelina Caron

Período: 21 de setembro a 21 de outubro de 2026

Local: Aeroporto Internacional Afonso Pena — saguão de embarque

Cidade: São José dos Pinhais (PR)

Sobre o Hospital Angelina Caron

Fundado em 1983, o Hospital Angelina Caron (HAC) é uma instituição filantrópica de alta complexidade localizada em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com mais de quatro décadas de atuação, realiza anualmente mais de 400 mil atendimentos a pacientes do SUS, convênios e particulares com atuação em áreas como oncologia, transplantes, cirurgia robótica, pediatria e reabilitação.

O modelo de cuidado é integrado ao ensino e à pesquisa por meio da UniCaron, do Departamento de Ensino e Pesquisa e dos programas de Residência Médica. Com foco em segurança, qualidade e atendimento humanizado, o HAC mantém como propósito promover saúde com excelência e ampliar seu impacto na assistência à população do Paraná e do Brasil.

Fun’iki Sushi Rooftop amplia cardápio com quatro novos pratos e aposta em diferentes leituras da cozinha japonesa

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Fun’iki Sushi Rooftop amplia cardápio com quatro novos pratos e aposta em diferentes leituras da cozinha japonesa

Novidades vão de combinados com enguia, vieira e atum a uma seleção vegetariana, ampliando as possibilidades para quem busca sabores mais tradicionais e propostas contemporâneas

A cozinha japonesa ganha novas possibilidades no cardápio do Fun’iki Sushi Rooftop, em Curitiba. A casa acaba de incorporar quatro pratos ao menu: Combinado Tokujou, Niguiri Unagui, Sashimi Tataki Shake Maguro e Combinado Vegetariano. As novidades ampliam as escolhas disponíveis no restaurante e exploram ingredientes como enguia, vieira, ovas de salmão, atum, robalo, polvo, cogumelos, algas e edamame.

O lançamento encontra no Paraná um público com forte relação com a gastronomia japonesa. O estado concentra a segunda maior comunidade nipo-brasileira do país, influência que também se reflete à mesa. Ao longo do tempo, o repertório conhecido pelo público se ampliou e ingredientes antes menos familiares, como ponzu, edamame, wakame e unagui, passaram a dividir espaço com sushi, sashimi e outras preparações já incorporadas aos hábitos dos brasileiros.

No Fun’iki, essa diversidade aparece tanto na escolha dos ingredientes quanto nas diferentes formas de preparo. Entre os lançamentos, o Combinado Tokujou é o mais abrangente. A seleção reúne Kimpira Gobo, Ussuzukuri de Robalo, Hira Zukuri Maguro, ovas de Ikura, Hotate, Shake Toro, Unagui com shari e Tako No Su-misso. Robalo, atum, vieira, salmão, enguia e polvo aparecem em diferentes cortes e preparações dentro de uma mesma experiência.

A enguia também ganha um prato próprio no Niguiri Unagui. Sobre o bolinho de shari, uma fatia de enguia grelhada recebe tarê e raspas de laranja Bahia, contrapondo o sabor característico do pescado ao toque cítrico da fruta.

Já o Sashimi Tataki Shake Maguro combina três fatias de salmão e três de atum, rapidamente seladas por fora e mantidas cruas no interior. Levemente picante, o prato é finalizado com molho ponzu, azeite de oliva e gergelim.

Vegetais também ganham protagonismo

Outra novidade é o Combinado Vegetariano, criado para oferecer uma experiência completa sem peixes ou frutos do mar. São quatro hossomakis Kimpira Gobo, quatro Kappa Maki, quatro niguiris de tempurá de shiitake com cream cheese, tarê e raspas de limão Taiti, dois gunkans de edamame, dois de Hiyashi Wakame e quatro uramakis de cenoura com aspargo trufado.

A composição explora uma vertente da culinária japonesa que tem nos vegetais, cogumelos, algas e derivados da soja elementos importantes de sua tradição. No novo combinado, esses ingredientes deixam de ocupar uma posição complementar e passam a conduzir a experiência.

Tradição que atravessou fronteiras

A relação da cultura japonesa com a alimentação recebeu reconhecimento internacional em 2013, quando a Unesco incluiu o washoku, conjunto de práticas alimentares tradicionais do Japão, na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O conceito está relacionado não apenas às receitas, mas à escolha e ao preparo dos ingredientes, à sazonalidade e à maneira de apresentar e compartilhar os alimentos.

No Fun’iki Sushi Rooftop, as quatro novidades partem desse amplo repertório gastronômico para apresentar propostas distintas dentro de um mesmo menu, de cortes e ingredientes tradicionalmente associados à cozinha japonesa a combinações que dialogam com novos hábitos de consumo.

Serviço:

Fun’iki Sushi Rooftop

Rua Desembargador Motta, 2311 – Batel, Curitiba – PR

(41) 99993-2361

funikirooftop.com.br

Segunda a quinta: 18h30 às 23h | Sexta e sábado: 18h30 à 00h

Para quem vive na estrada, uma parada que faz a diferença

Em Campina Grande do Sul, no Paraná,  Posto Pelanda Alpino 2 reúne alimentação, descanso e serviços especializados para caminhoneiros e viajantes que circulam pela BR-116

Para o motorista de carreta Sérgio Pichau, de Joinville, em Santa Catarina, cada viagem começa com uma despedida. Casado há 27 anos e pai de duas filhas, ele deixa a família para enfrentar longos trechos de estrada transportando cargas pelo Brasil. No caminho, encontrar um lugar onde possa abastecer, fazer uma refeição, tomar banho, descansar e cuidar do caminhão representa muito mais do que uma simples parada.

Há quase dez anos na profissão, Sérgio encontrou no Posto Pelanda Alpino 2, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, um desses pontos de confiança. Localizado no km 25 da BR-116, no sentido Sul, o posto faz parte da rotina de motoristas que percorrem a ligação entre São Paulo e a Região Sul do país.

“ O posto  é especial por todo o aparato que ela nos entrega, todo o conforto que o posto pode proporcionar para nós, motoristas que vivemos na estrada. É um bom lugar para tomar banho, almoçar, jantar, descansar e seguir viagem”, conta Sérgio, que utiliza principalmente os serviços de abastecimento e engraxamento.

Segundo ele, outro diferencial está na relação construída com a equipe. “A gente sempre que precisa deles são muito solícitos, assim como os frentistas e também os atendentes de caixa. A gente se sente em casa mesmo com eles.”

Essa sensação de proximidade também está presente entre os profissionais que trabalham no Alpino 2. O gerente do restaurante, Oesley Santana de Arruda, conhecido como Elinho, começou na Rede Pelanda, em 2005, como balconista. Mais de duas décadas depois, continua na empresa e hoje comanda a operação do restaurante.

Morador da região de Campina Grande do Sul, Elinho também destaca a importância da empresa para a comunidade do entorno. Segundo ele, cerca de 80% dos trabalhadores do posto vivem nas proximidades.

“A rotina do restaurante acompanha o intenso movimento da rodovia. São cerca de 800 atendimentos por dia durante a semana e mais de mil aos finais de semana. O público é formado principalmente por caminhoneiros, mas turistas e outros viajantes também fazem parte da clientela”, conta Elinho.

Entre os pratos mais procurados está a chuleta com polenta, considerada a especialidade da casa. A unidade também oferece diferentes opções de pratos executivos, além da lanchonete.

Estrutura para caminhões e motoristas

Além da alimentação, o Posto Pelanda  Alpino 2 concentra serviços que atendem diretamente às necessidades de quem trabalha com transporte rodoviário.

A unidade conta com estacionamento fechado, banheiros, chuveiros com suíte e Lava Truck 24 horas. O serviço de lavagem inclui três etapas, utilização de produtos específicos e limpeza manual da cabine.

O posto também abriga o Pelanda Truck Center, com serviços de mecânica, elétrica, borracharia e estofamento. A estrutura oferece ainda serviços especializados para caminhões, como molas, freios, embuchamentos, soldas, alinhamento, auto elétrica, sistema de válvulas a ar com teste em bancada, polimento de cabine, tanque e rodas e higienização de cabine.

Para o gerente Fábio Alves de Jesus, que trabalha na Rede Pelanda desde 2012, a estrutura faz do Alpino 2 uma das unidades mais completas da rede. Ele começou como operador de caixa e passou cerca de dez anos na função antes de assumir a gerência do posto.

“Acho que é o posto mais completo da rede, com vários serviços para prestar ao cliente, uma estrutura muito ampla, estacionamento fechado e lavagem de qualidade. Temos também serviços de molas, freios, estofaria, elétrica, borracharia e polimento”, afirma o gerente.

Fábio destaca ainda que os caminhoneiros são o principal público da unidade e que os elogios recebidos vão desde os serviços prestados até a alimentação do restaurante.

Para Paulo Pelanda, proprietário da Rede Pelanda, a estrutura é importante, mas o diferencial está na experiência oferecida ao cliente.

“Quem está na estrada precisa encontrar um lugar em que possa confiar. Nossa responsabilidade é fazer com que essa parada seja completa, segura e confortável, seja para abastecer, fazer uma refeição, descansar ou cuidar do caminhão. O nosso compromisso é fazer com que o motorista siga viagem melhor do que chegou”, diz Paulo

A gerente de marketing da Rede Pelanda, Ana Paula Pelanda, destaca que a relação construída com os clientes também é resultado do trabalho das equipes que estão diariamente nas unidades.

“Quando um cliente diz que se sente em casa, isso mostra que o atendimento conseguiu ultrapassar a relação comercial. Existe uma equipe por trás de cada experiência, pessoas que conhecem a rotina de quem está na estrada e entendem a importância de receber bem. É essa combinação entre estrutura e atendimento que queremos oferecer em cada parada”, afirma Ana Paula.

Missão internacional inédita: Liga Muçulmana Mundial realiza 20 cirurgias cardíacas de alta tecnologia em pacientes do SUS em hospital de Curitiba

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Missão internacional inédita: Liga Muçulmana Mundial realiza 20 cirurgias cardíacas de alta tecnologia em pacientes do SUS em hospital de Curitiba

Intercâmbio com equipe de Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva e CardioRobótica do Hospital Angelina Caron (HAC) traz ao Brasil próteses e dispositivos ainda não disponíveis no sistema público, com apoio do HMRI – Health and Medical Robotic Research Institute (Instituto de Pesquisa em Robótica Médica e em Saúde); projeto piloto pode expandir modelo para toda a América Latina

Vinte pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com doenças cardíacas complexas serão beneficiados com procedimentos de última geração em uma ação humanitária e científica inédita no Brasil.

Uma comissão médica da Liga Muçulmana Mundial, desembarca em Curitiba esta semana para realizar, em parceria com o Hospital Angelina Caron (HAC) e com apoio do HMRI – Health and Medical Robotic Research Institute (Instituto de Pesquisa em Robótica Médica e em Saúde), uma força-tarefa cirúrgica que une tecnologia de ponta, troca de expertises e diplomacia em saúde.

A missão, que vai até 17 de setembro, é resultado de um encontro do escritório da Liga no Brasil com o Ministro da Saúde e da busca por centros de excelência no país. Por laços de amizade, conhecimento técnico prévio e reconhecimento internacional na área, a instituição escolhida para o projeto piloto foi o Hospital Angelina Caron (HAC), em parceria com sua equipe de Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva e CardioRobótica e com a expertise da UniCaron e do HMRI.

Os pacientes selecionados são todos institucionais do SUS, já em acompanhamento no Hospital Angelina Caron (HAC), e foram priorizados dentro da rotina do sistema para receberem tecnologias que ainda não estão disponíveis de forma universal no país.

Na prática, as cirurgias serão realizadas em conjunto. A equipe local atuará com as técnicas que já são rotina na instituição, somando a expertise dos especialistas internacionais e a utilização de dispositivos cardíacos e próteses de nova geração, ainda não liberadas para uso rotineiro no SUS.

À frente do intercâmbio estão os Drs. Milton Santoro e Rodrigo Ribeiro, que coordenam a integração entre as duas equipes. Segundo o Dr. Milton Santoro, a iniciativa vai muito além da assistência: “Estamos falando de um ganho triplo. O paciente do SUS tem acesso a uma tecnologia que ele demoraria anos para conseguir, nossa equipe tem a oportunidade de operar lado a lado com experts internacionais e a Liga encontra no HAC um parceiro estratégico para expandir ações humanitárias. É a medicina sem fronteiras na sua essência.”

Para o Dr. Rodrigo Ribeiro, o foco está no legado que o projeto deixa para o sistema público: “Essa integração com a missão da Arábia Saudita é uma troca mútua e muito proveitosa. Não estamos apenas trazendo médicos de fora para operar; estamos realizando um intercâmbio real de técnicas e tecnologias. O que aprendemos aqui ficará incorporado à nossa rotina, elevando o patamar de cuidado que podemos oferecer a todos os pacientes do SUS daqui para frente.”

Mais do que 20 cirurgias, o projeto tem um objetivo estratégico. Após este piloto, a ideia é ampliar a atuação da Liga Muçulmana para outras regiões do Brasil e para outros países da América Latina, com a possibilidade de credenciar a equipe do Hospital Angelina Caron (HAC) e a expertise da UniCaron e do HMRI – Health and Medical Robotic Research Institute (Instituto de Pesquisa em Robótica Médica e em Saúde) como centro de formação e multiplicador desses programas financiados pela Liga.

Serviço:

O que: Força-tarefa internacional com 20 cirurgias cardíacas de alta tecnologia em pacientes do SUS

Quem: Missão de saúde da Liga Muçulmana Mundial + Equipe de Cirurgia Cardíaca Minimamente Invasiva e CardioRobótica do Hospital Angelina Caron (HAC) (Coordenação: Dr. Milton Santoro e Dr. Rodrigo Ribeiro)

Apoio: HMRI – Health and Medical Robotic Research Institute (Instituto de Pesquisa em Robótica Médica e em Saúde)

Onde: Hospital Angelina Caron (HAC) – [Rodovia do Caqui, 1150 – Araçatuba – Campina Grande do Sul/PR]

Endividamento afeta produtividade de um em cada três trabalhadores

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Endividamento afeta produtividade de um em cada três trabalhadores

Dívidas afetam autoestima, sono e concentração e transformam a saúde financeira dos colaboradores em um ponto de atenção para as áreas de Recursos Humanos; 33% dos trabalhadores relatam queda na produtividade devido às questões ligadas a dinheiro

O endividamento deixou de ser uma preocupação restrita à vida pessoal dos trabalhadores. As dificuldades para pagar as contas também chegam ao ambiente de trabalho, afetando a concentração, o bem-estar e a produtividade dos colaboradores.

Uma pesquisa realizada pela SalaryFits, empresa da Serasa Experian, e divulgada em outubro de 2025, mostra que 66% dos trabalhadores perceberam aumento do estresse em razão do endividamento. No ambiente profissional, 51% relataram mais estresse, 47% exaustão física e 33% queda de produtividade provocada pelos problemas financeiros.

O impacto vai além do desempenho. Outro estudo, realizado pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou que 84% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros. Entre as consequências mais citadas estão alterações no humor e na estabilidade emocional, mencionadas por 48% dos entrevistados, prejuízos à autoestima, apontados por 44%, redução da energia e disposição, com 32%, e dificuldade de concentração no trabalho ou nos estudos, relatada por 30%. Além disso, 70% disseram já ter perdido o sono por preocupação com dívidas.

Para o economista e CEO do Conta Cheia, Gabriel Nasser, os números demonstram que a saúde financeira precisa entrar de forma mais estruturada na agenda das empresas. “O colaborador não deixa as preocupações financeiras do lado de fora quando começa o expediente. Uma dívida pode ocupar seus pensamentos durante todo o dia, afetar o sono, a autoestima, a capacidade de concentração e até a forma como ele se relaciona com colegas e familiares. Por isso, essa não é apenas uma questão individual. É também uma preocupação legítima do RH e das lideranças”, afirma.

O cenário é agravado pelo elevado nível de endividamento das famílias brasileiras. Em abril de 2026, 80,9% das famílias do país possuíam algum tipo de dívida, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. A inadimplência atingia 29,7% das famílias e 12,3% afirmavam não ter condições de quitar seus débitos. No Paraná, o percentual de famílias endividadas chegou a 86% no mesmo período, conforme levantamento da CNC e da Fecomércio PR.

Embora nem toda dívida represente inadimplência, o uso de modalidades com juros elevados pode dificultar ainda mais a reorganização financeira. Dados do Banco Central mostram que a taxa média do crédito livre destinado às pessoas físicas chegou a 61,5% ao ano em março de 2026. O acesso a alternativas com condições mais equilibradas pode ajudar o trabalhador a substituir dívidas mais caras e recuperar previsibilidade sobre o orçamento, desde que a contratação seja feita com planejamento e respeito à capacidade de pagamento.

Foi a partir dessa preocupação que surgiu o Conta Cheia, fintech paranaense especializada em crédito consignado privado para trabalhadores com carteira assinada. A empresa atua por meio de convênios com médias e grandes companhias, oferecendo aos colaboradores acesso a crédito com desconto em folha, taxas mais competitivas e prazos de até 60 meses.

“O Conta Cheia nasceu da percepção de que o endividamento provoca uma dor que vai muito além do bolso. Nosso objetivo é oferecer uma alternativa mais justa para o trabalhador que precisa reorganizar sua vida financeira, especialmente quando ele está recorrendo ao cartão rotativo, cheque especial ou outras modalidades mais caras. Crédito não deve ser tratado como renda extra nem como resposta automática para qualquer dificuldade, mas pode ser uma ferramenta de reorganização quando usado com consciência e transparência”, explica Nasser.

Para as empresas conveniadas, a adesão ao Conta Cheia não gera custo, integração de sistemas ou responsabilidade financeira. A companhia apenas comunica a disponibilidade do benefício aos colaboradores, sem atuar como ofertante, vendedora ou intermediadora do crédito. Todo o processo, da simulação à contratação, é digital, e o trabalhador mantém autonomia para avaliar as condições, comparar propostas e decidir se deseja ou não contratar.

Segundo Nasser, o papel do RH não deve ser controlar a vida financeira do funcionário, mas criar um ambiente seguro para orientação e acesso a alternativas responsáveis. “Existe muita vergonha associada ao endividamento. Quando a empresa aborda o tema sem julgamento, oferece educação financeira e disponibiliza soluções mais equilibradas, ela ajuda o colaborador a enfrentar o problema antes que ele se agrave. É uma forma de cuidado que pode refletir em mais tranquilidade, concentração e qualidade de vida”, destaca.

Em menos de seis meses de operação, o Conta Cheia recebeu 134 mil pedidos de crédito consignado, que somaram mais de R$ 58 milhões em volume solicitado. A fintech também captou R$ 50 milhões de um fundo de investimentos para acelerar sua expansão e ampliar os convênios com empresas de médio e grande porte.

Hospital Veterinário alerta para os perigos das “saidinhas” e o risco de doenças graves em gatos

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Hospital Veterinário alerta para os perigos das “saidinhas” e o risco de doenças graves em gatos

O Hospital Veterinário Municipal de Curitiba (HVMC) faz um alerta essencial para quem tem gatos em casa: lugar de felino é dentro de casa. Permitir que o gato dê “voltinhas” ou “saidinhas” na vizinhança traz sérios riscos à vida do animal e põe em xeque a guarda responsável, facilitando ocorrências de maus-tratos acidentais ou intencionais e, nos casos mais graves, o abandono por contração de zoonoses evitáveis.

Muitos responsáveis ainda acreditam que o felino precisa da rua para “gastar energia” ou exercer seus instintos, mas a liberdade sem supervisão expõe o pet a uma série de perigos letais.

Ao acesso livre à rua, o animal fica vulnerável a diversos imprevistos que costumam superlota a emergência do hospital. Permitir que o gato tenha acesso livre à rua expõe o animal a riscos letais que costumam lotar a emergência hospitalar, como atropelamentos graves, brigas violentas com outros animais, envenenamentos e o contágio de doenças e zoonoses altamente perigosas, a exemplo da esporotricose, FIV e FeLV.

Rafael Binder, Diretor Clínico do Hospital Veterinário Municipal de Curitiba, enfatiza que a telagem e o enriquecimento ambiental são as melhores ferramentas de proteção. “A grande maioria das emergências graves com gatos que chegam através da nossa classificação de risco poderia ter sido evitada mantendo o animal dentro de casa. As saídas expõem o pet ao contágio da esporotricose, brigas violentas e atropelamentos. Gato protegido é gato em casa, com janelas teladas, espaço enriquecido com brinquedos e arranhadores, e vacinação atualizada. A prevenção de acidentes começa dentro do próprio lar,” alerta Binder.

Como manter o felino seguro e feliz em casa?

Instalação de redes de proteção: telar janelas, sacadas e muros para impedir fugas físicas.
Enriquecimento ambiental: instalar prateleiras, nichos no alto, arranhadores e disponibilizar brinquedos interativos.

Castração: a castração reduz o instinto de demarcação territorial e o interesse do animal em dar “saidinhas” para cruzar.

As consultas de rotina, acompanhamento e orientação de saúde felina no hospital devem ser agendadas previamente de forma online pelo sistema da Prefeitura de Curitiba ou pelo portal da Rede de Proteção Animal. O serviço é destinado a protetores independentes, ONGs e famílias de baixa renda.

Osuel celebra talento de seus músicos em concerto dedicado a Bach

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Osuel celebra talento de seus músicos em concerto dedicado a Bach

Nildo Baía, Luis Wagner Costa, Marcos Aquino, Marcos Pelisson e Jussival Rocha assumem o papel de solistas nos dias 11 e 12 de setembro, no Teatro Ouro Verde

A Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel) apresenta, nos dias 11 e 12 de setembro, o primeiro concerto da Série Bourbon, dedicado à música barroca, dentro da Temporada Ouro Verde 2026, com um diferencial: todos os solistas são músicos que integram a própria orquestra. Dedicada à obra do compositor alemão Johann Sebastian Bach, será uma oportunidade para o público conhecer mais de perto cinco artistas que, habitualmente, ocupam seus lugares junto ao conjunto e que agora ganham o centro do palco. As apresentações acontecem às 20 horas, no Teatro Ouro Verde, e são realizadas pela Casa de Cultura da UEL. Os ingressos estão à venda na plataforma oficial PagTickets.

A direção musical e o violino estarão a cargo de Nildo Baía, spalla da Osuel, ao lado de Luis Wagner Costa, também no violino; Marcos Aquino, no oboé; Jussival Rocha e Marcos Pelisson, na flauta. Os cinco músicos possuem longa trajetória de formação e atuação artística e integram a história da própria orquestra. Baía está na Osuel desde 1995 e já atuou diversas vezes como solista. Jussival Rocha é o primeiro flautista da orquestra e também já desempenhou atividades solísticas em diversas ocasiões. Marcos Aquino e Marcos Pelisson integram a Osuel desde 1990, enquanto Wagner Costa faz parte do grupo desde 2010.

De acordo com o diretor artístico da Osuel, Rossini Parucci, a apresentação valoriza justamente músicos que constroem, diariamente, a identidade sonora da orquestra. “É uma oportunidade de aproximar o público dos nossos músicos, que tantas vezes são vistos como parte do conjunto e, nesta ocasião, assumem o protagonismo como solistas. São artistas com trajetórias muito ricas e que têm muito a oferecer”, destaca.

O programa é inteiramente dedicado a Bach e começa com o Concerto de Brandemburgo nº 4 em Sol maior (BWV 1049), escrito para violino solo e duas flautas solistas, acompanhados por cordas. A obra combina momentos de grande vivacidade com passagens de intenso diálogo entre os instrumentos e reserva ao violino trechos de especial virtuosismo, incluindo rápidas escalas no primeiro movimento e uma sequência de arpejos sobre cordas alternadas no movimento final.

Na sequência, a orquestra interpreta o Concerto para Violino e Oboé em Ré menor (BWV 1060). Considerada uma reconstrução bastante provável de uma obra original hoje perdida, a composição apresenta três movimentos e destaca o diálogo entre os dois instrumentos. No Adagio central, violino e oboé compartilham uma longa e expressiva melodia, acompanhados discretamente pelas cordas.

Outro destaque é o Concerto para Dois Violinos em Ré menor (BWV 1043), conhecido como “Concerto Duplo”. Uma das obras mais célebres de Bach e seu único concerto para dois violinos, a composição é marcada pelo diálogo entre os instrumentos, com momentos de grande expressividade.

A apresentação se encerra com o Concerto de Brandemburgo nº 3 em Sol maior (BWV 1048), parte do célebre conjunto de seis concertos de Bach. Escrita exclusivamente para cordas e baixo contínuo, a obra explora o diálogo entre violinos, violas e violoncelos, em uma construção marcada pelo equilíbrio entre os diferentes grupos instrumentais.

O programa oferece ao público londrinense a oportunidade de apreciar a riqueza e a importância da obra de Johann Sebastian Bach, um dos compositores mais influentes da história da música. Os ingressos para os concertos desta série variam de R$ 20 a R$ 30 a meia-entrada, e de R$ 40 a R$ 60 a entrada inteira, dependendo do setor.

Dois concertos em setembro

A programação da Osuel terá ainda outra apresentação neste mês. Nos dias 26 e 27 de setembro, às 11 horas, a série Contos apresenta Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev, com regência do maestro convidado Werner Silveira e narração de Edinho Moreno. O programa inclui ainda a Suíte Mamãe Ganso, de Maurice Ravel.

Serviço:

Concerto: Série Bourbon – Temporada Ouro Verde 2026

Data: 11 e 12 de setembro

Horário: 20 horas

Local: Teatro Ouro Verde

Ingressos: https://osuel.pagtickets.com.br/eventos/

Cine Mundi reúne 52 curtas-metragens de 16 países e todas as regiões do Brasil

Curitiba recebe, de 8 a 12 de setembro, o Cine Mundi — Mostra Mundial de Curta-metragem, programação realizada pelo Cine Tornado Festival que reúne 52 curtas-metragens de 16 países estrangeiros e 13 estados brasileiros, representando as cinco regiões do Brasil.

A programação reúne produções internacionais e brasileiras de lugares como Itália, Espanha, Canadá, Portugal, Argentina, Alemanha, Sérvia, Taiwan, Irã, China, Suíça, Malásia, Belarus e Lituânia, além de filmes realizados em diferentes estados brasileiros, contemplando as 5 regiões.
Entre ficção, animação, documentário, cinema experimental, videoclipe e ficção científica os filmes abordam temas como memória, identidade, relações humanas, infância, território, cultura, pertencimento, saúde mental, questões sociais e imaginário.

A mostra reúne produções recentes e traz dois filmes convidados do diretor paranaense Semi Salomão. Entre os destaques está A Bruxa do Cemitério, produzido em 2004, e Apucarana, Cidade Oculta, de 2026, reforçando a proposta do Cine Mundi de aproximar diferentes gerações e experiências cinematográficas do público.

Entre as produções internacionais estão filmes como Straight and in a Circle, uma coprodução entre Belarus e Lituânia, uma animação sobre um refugiado em busca de segurança e recomeço; Between, de Taiwan, uma animação sobre empatia e conexão; A Summer’s end Poem, da China, ficção sobre o imaginário urbano da cultura pop; Workout, da Alemanha, sobre as pressões culturais sobre o tornar-se adulto.

A produção brasileira também apresenta uma ampla diversidade territorial. Há filmes provenientes de Amazonas, Rondônia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, além dos filmes do eixo São Paulo – Rio de Janeiro, formando um panorama que atravessa o país de Norte a Sul e Leste a Oeste.

Mais do que uma mostra de filmes, o Cine Mundi propõe um espaço de encontros cinematográficos. Em sessões gratuitas, o público de Curitiba poderá conhecer obras que dificilmente chegam ao circuito comercial e descobrir novos realizadores, narrativas e formas de expressão audiovisual.

Os filmes foram selecionados por um corpo de jurados que representam várias associações cinematográficas no Brasil e em um segundo momento passaram pela avaliação da curadoria de Donatella Tornado, também responsável pela programação do evento.


Serviço
Cine Mundi — Mostra Mundial de Curta-metragem 8 a 12 de setembro de 2026
Cinemateca de Curitiba
Entrada gratuita — lugares limitados – chegar 30 minutos antes para garantir o seu lugar.
Realização: Cine Tornado Festival
Programação completa:
Cine Tornado Festival
Redes sociais: @cinetornadofestival
Realização: Cine Tornado Festival em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba
Curadoria: Donatella Tornado

Opinião: O valor pedagógico da merenda escolar

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Mariana de Almeida e Etiene Corso*

É urgente colocar a merenda escolar no centro do debate educacional. Muito além de arroz, feijão e salada, o que se serve nas escolas brasileiras é, para milhões de crianças, a única refeição completa do dia. Trata-se de uma política pública estratégica, com impactos diretos na saúde, na aprendizagem e na economia.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criado em 1955 e reforçado pela Lei 11.947/2009, é um dos maiores do mundo. Atende cerca de 40 milhões de estudantes em 150 mil escolas públicas, com um orçamento de R$ 5,5 bilhões por ano. Embora pareça um investimento robusto, o valor diário varia entre R$ 0,41 e R$ 1,37 por aluno — o que torna indispensável o complemento por parte dos estados e municípios. No Paraná, por exemplo, escolas integrais oferecem cinco refeições diárias, com cardápios elaborados conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira.

Os hábitos alimentares de crianças e adolescentes são fortemente influenciados pelo ambiente em que vivem, especialmente o escolar, onde passam boa parte do dia. A adolescência é uma fase decisiva na formação desses hábitos, marcada pela baixa ingestão de frutas e hortaliças e pelo alto consumo de alimentos ultraprocessados. Nesse contexto, a escola assume um papel estratégico ao incentivar o consumo de alimentos in natura e minimamente processados, que constituem a base da alimentação escolar.

Estudos recentes mostram que estudantes bem alimentados apresentam até 20% mais rendimento em disciplinas como matemática e português. Segundo o Inep, a merenda reduz o absenteísmo, melhora a concentração e favorece a aprovação escolar. Dados do Saeb confirmam que escolas com alimentação adequada apresentam melhor desempenho em larga escala. Além disso, 70,8% dos alunos atendidos pelo PNAE relatam melhoria nas notas após o acesso regular à alimentação escolar de qualidade.

A merenda escolar também se mostra um antídoto contra a evasão. A fome é uma inimiga silenciosa da educação e sua presença nas salas de aula compromete não só o aprendizado, mas também o direito básico à dignidade. No Brasil, cerca de 15 milhões de crianças e adolescentes convivem com excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2024 — cenário que reforça o papel pedagógico da escola na promoção de hábitos saudáveis.

Outro aspecto crucial é o retorno econômico. De acordo com o World Food Programme (WFP), cada dólar investido na alimentação escolar pode gerar entre 7 e 35 dólares em benefícios econômicos. Isso porque o PNAE também fortalece a economia local: ao menos 30% dos recursos são destinados à compra de alimentos da agricultura familiar, com prioridade para as comunidades indígenas e quilombolas.

Vale ressaltar a importância dos profissionais que sustentam essa engrenagem: as cozineiras e os cozinheiros. São eles que, diariamente, transformam recursos limitados em refeições dignas, equilibradas e culturalmente adequadas. Profissionais que, a partir da relação com os alunos, observam quem come com mais pressa e quem evita o prato por vergonha de repetir. São agentes de cuidado e inclusão. Reconhecer seu papel é reconhecer a dimensão humana e afetiva da escola pública brasileira.

É preciso abandonar a visão estreita que trata a alimentação escolar como um custo acessório e assumir seu papel como vetor de transformação social. Alimentar crianças e jovens é garantir que o aprendizado não comece em desvantagem. A fome não tira apenas o apetite. Ela rouba o futuro.


*Etiene Corso é mestre em Desenvolvimento Comunitário e assistente social e Mariana de Almeida é nutricionista das escolas públicas participantes do Programa Parceiro da Escola na regional de Guarapuava, geridas pelo APG.Gov. 

Loccus lidera rodada de aporte de R$ 23 milhões em deeptech brasileira

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Investimento na Doroth amplia atuação da companhia em diagnóstico molecular e abre caminho para produção em escala de chips microfluídicos no Brasil

A Loccus, empresa brasileira de biotecnologia e diagnóstico molecular, liderou a rodada de investimento que captou R$ 23 milhões para a deeptech Doroth, especializada no desenvolvimento de plataformas lab-on-a-chip. A operação combina capital privado com recursos de fomento da Finep e da Fapesp e integra a estratégia da companhia de incorporar tecnologias consideradas estratégicas para o diagnóstico molecular e avançar na produção nacional de equipamentos, reagentes e consumíveis de maior complexidade.

Com o investimento, a Loccus incorpora ao seu ecossistema competências em microfluídica, sensores e automação, complementares às soluções que já desenvolve e produz. A companhia pretende usar sua capacidade industrial, regulatória e comercial para encurtar o caminho entre pesquisa, desenvolvimento e fabricação em escala.

“Estamos aproximando a capacidade científica de desenvolver novas tecnologias da estrutura necessária para transformá-las em produtos e levá-las ao mercado. A Loccus já reúne experiência em inovação, produção, regulação e comercialização e, agora, incorporamos competências especializadas em microfluídica e outras áreas complementares às nossas. Isso nos permite acelerar o desenvolvimento de soluções nacionais e criar condições para produzi-las em escala”, afirma Eduardo Araújo, CEO da Loccus.

Parte dos R$ 23 milhões será destinada à expansão da estrutura de pesquisa, desenvolvimento e produção, incluindo a implantação de uma indústria de chips microfluídicos com reagentes proprietários embarcados. A expectativa é reduzir o tempo entre o desenvolvimento, a validação e a chegada de novas soluções ao mercado.

O movimento fortalece e amplia a atuação já consolidada da Loccus em segmentos como saúde humana, saúde animal e agronegócio. A integração das tecnologias deverá contribuir para o desenvolvimento de novos testes e para o aumento da capacidade de fabricação de equipamentos, chips e reagentes no país.

Da pesquisa à escala industrial

A microfluídica acrescenta uma nova frente ao portfólio tecnológico da Loccus. Conhecida como lab-on-a-chip, a tecnologia permite reunir, em pequenos dispositivos, etapas que tradicionalmente dependem de diferentes processos e estruturas laboratoriais, como preparação de amostras, extração de material genético, amplificação e leitura de resultados.

Fundada em 2019 e sediada em Piracicaba (SP), a Doroth reúne conhecimento em biologia molecular, microfluídica, engenharia, eletrônica, óptica, automação e software. A partir da operação, a deeptech ficará concentrada no desenvolvimento de produtos e na captação de recursos, enquanto a Loccus contribuirá com estrutura de fabricação, integração tecnológica, infraestrutura, conhecimento científico, suporte regulatório e canais de distribuição.

A combinação de competências busca enfrentar um dos principais gargalos das empresas brasileiras de base científica: transformar conhecimento desenvolvido no país em produtos com escala comercial. “Nosso objetivo vai além de financiar o desenvolvimento de uma tecnologia. Queremos criar as condições para que o conhecimento científico brasileiro se transforme em produto competitivo”, diz Araújo.

Estratégia mira cadeia nacional de diagnóstico

O investimento também está alinhado à estratégia de verticalização tecnológica da Loccus, que busca integrar diferentes etapas da cadeia de diagnóstico molecular. A companhia reúne competências que vão de enzimas e ensaios moleculares a sensores e equipamentos automatizados e, com a nova frente, passa a avançar também em consumíveis microfluídicos.

A fabricação local desses componentes pode reduzir a dependência de tecnologias e insumos importados e aumentar o controle sobre etapas estratégicas da cadeia produtiva.

Além da saúde humana e animal, o agronegócio está entre as frentes com potencial de expansão. As soluções desenvolvidas pela Doroth permitem identificar patógenos, microrganismos, organismos geneticamente modificados e genes de resistência em amostras como folhas, sementes, grãos, leite e carne.

As plataformas também podem ser aplicadas à identificação de agentes infecciosos em insetos vetores, com usos que vão da sanidade agrícola à saúde pública. Com a integração, a Loccus busca fortalecer sua atuação em diagnóstico molecular e aumentar a presença de tecnologia desenvolvida e produzida no Brasil em uma cadeia ainda dependente de fornecedores externos.