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Acidentes envolvendo ônibus e problemas apontados em auditorias ampliam debate sobre segurança do transporte no Paraná

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Acidentes envolvendo ônibus e problemas apontados em auditorias ampliam debate sobre segurança do transporte no Paraná
Edital da nova concessão entra na fase final e deve ser publicado nas próximas semanas. Foto: Isabella Mayer/SECOM

APOIA propõe ampliar debate sobre inspeção veicular, manutenção e acompanhamento das condições dos veículos que transportam passageiros diariamente

Quem espera um ônibus urbano costuma olhar o horário, conferir a linha e torcer para chegar a tempo ao destino. As condições dos freios, da direção e dos demais componentes mecânicos, porém, ficam fora do alcance de quem utiliza o transporte diariamente. Para a Associação Paranaense dos Organismos de Inspeção Veicular (APOIA), a discussão sobre a segurança do transporte de passageiros precisa reunir manutenção, inspeção veicular e acompanhamento das condições de funcionamento da frota.

Poucas cidades do Paraná divulgam esses dados. Em Curitiba, foram registrados 1.135 acidentes envolvendo o transporte coletivo em 2025, uma média de três por dia, segundo balanço da URBS baseado nos boletins de ocorrência das operadoras. Em Londrina, o Relatório Anual de Segurança Viária da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) contabilizou 81 sinistros envolvendo ônibus em 2024, um aumento de aproximadamente 45% em relação ao ano anterior, com 56 registros. Os levantamentos abrangem períodos e recortes diferentes e não permitem atribuir esses acidentes, de forma geral, a falhas mecânicas.

Na capital, houve redução de 22% em relação aos 1.463 registros de 2024. O balanço inclui ocorrências com pedestres, ciclistas, automóveis, motocicletas, objetos fixos e animais, sem especificar quantas decorreram de falhas mecânicas. Já os números de Londrina abrangem acidentes envolvendo ônibus, sem restringir todo o levantamento à frota do transporte coletivo urbano. O presidente da APOIA, Everton Pedroso, afirma que a prevenção e o aumento da segurança no transporte público exigem atenção a diferentes fatores, entre eles a condução, as condições das vias e o funcionamento dos veículos.

Segundo ele, é necessário aprofundar o debate para qualificar o serviço e reduzir os riscos dos passageiros. “O objetivo é discutir como a inspeção veicular independente pode complementar a manutenção e as vistorias existentes, com testes, registro dos resultados e acompanhamento das correções. O passageiro não tem como avaliar os freios, a direção ou os componentes mecânicos antes de embarcar. Ele depende dos procedimentos de controle”, salienta.

Quando um ônibus para durante o trajeto por uma falha mecânica, os passageiros precisam aguardar outro veículo ou buscar uma alternativa para chegar ao trabalho, à aula ou a uma consulta. A interrupção do serviço traz ainda o questionamento sobre quais verificações podem ajudar a identificar problemas antes que comprometam a operação.

Na inspeção veicular, parte dessa resposta vem de medições. Everton Pedroso explica que o frenômetro, por exemplo, é utilizado para medir os esforços de frenagem e o desequilíbrio do sistema de freios, conforme diretriz técnica do Inmetro. O equipamento produz resultados sobre o desempenho dos freios durante o ensaio. “Há condições de funcionamento que precisam ser medidas. Os testes permitem avaliar os sistemas com critérios técnicos e orientar as intervenções necessárias. A inspeção deve estar conectada à manutenção e ao acompanhamento contínuo da frota”, explica.

Ele esclarece ainda que manutenção e inspeção veicular têm funções complementares. A manutenção envolve conservação, ajustes e substituição de componentes. Já a inspeção verifica os itens previstos no procedimento aplicável, retratando suas condições no momento da avaliação. “A aprovação em uma inspeção não dispensa a manutenção. O veículo continua em uso e sujeito a desgaste. O resultado dos testes precisa fazer parte de uma rotina de controle”, acrescenta.

AUDITORIAS

A avaliação dos ônibus envolve ainda equipamentos essenciais para os passageiros. Em uma fiscalização realizada em 2023, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) examinou 104 veículos de Curitiba e encontrou seis com mau funcionamento das plataformas elevatórias e 16 com problemas nos interruptores de solicitação de parada em espaços reservados. Os resultados foram divulgados em junho de 2025.

Em Maringá, uma auditoria vinculada ao Plano Anual de Fiscalização de 2023 identificou oito situações sobre a gestão do transporte coletivo. Entre eles, o TCE-PR apontou condições gerais inadequadas dos veículos e problemas de acessibilidade nos ônibus e terminais. “Uma plataforma inoperante pode impedir o embarque de quem depende dela. Cada sistema exige procedimentos específicos, mas todos precisam de verificação e de providências quando apresentam inadequações”, afirma Pedroso.

Em Curitiba, segundo a URBS, são feitas vistorias periódicas nos ônibus da Rede Integrada de Transporte. A discussão proposta pela APOIA é sobre como a inspeção veicular independente pode complementar esses procedimentos.

Pedroso cita o exemplo do transporte intermunicipal de passageiros autorizado pelo DER-PR, em que a documentação exigida inclui certificado de inspeção veicular anual, além da vistoria técnica do departamento. “O transporte urbano é utilizado diariamente por pessoas que dependem dele para acessar trabalho, educação e saúde. Essa utilização precisa ser considerada no debate sobre os controles técnicos da frota”, afirma Pedroso.

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