Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado no último dia 11 de outubro, reforça a necessidade de incluir a saúde renal no cuidado com o excesso de peso
Quando se fala em obesidade, as consequências mais lembradas costumam ser diabetes, pressão alta e doenças cardiovasculares. Mas os rins também podem ser afetados; e esse comprometimento pode avançar silenciosamente. O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, abre espaço para um alerta: prevenir e tratar a obesidade também é uma forma de proteger a função renal.
“A obesidade aumenta a probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e hipertensão arterial, duas das principais causas de doença renal crônica. Entretanto, a relação vai além dessas condições: mesmo sem diabetes ou pressão alta, pessoas com obesidade podem apresentar maior risco de desenvolver doença renal e de ter sua progressão acelerada”, alerta Dr. Paulo Fraxino, médico nefrologista e diretor do Instituto ADORE – Amparo ao Doente Renal.
Como o excesso de gordura afeta os rins
Os rins filtram o sangue, eliminam resíduos e ajudam a manter o equilíbrio de líquidos no organismo. Em pessoas com obesidade, o aumento das demandas metabólicas pode levar esses órgãos a filtrar mais do que o habitual, processo conhecido como hiperfiltração.
Essa adaptação, quando persistente, pode aumentar a pressão dentro dos glomérulos, estruturas responsáveis pela filtragem, favorecendo lesões. Alterações inflamatórias e hormonais associadas ao excesso de tecido adiposo também participam desse processo. Com o tempo, pode ocorrer perda de proteínas pela urina e redução da capacidade de filtração dos rins.
“Isso não significa que toda pessoa com obesidade desenvolverá doença renal. Significa, porém, que o acompanhamento precisa considerar a saúde dos rins, além do peso registrado na balança”, pondera o médico.
Não esperar pelos sintomas é decisivo
Um dos desafios da prevenção é que a doença renal crônica pode não causar sintomas nas fases iniciais. Assim, sentir-se bem não é suficiente para descartar alterações. Pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar de insuficiência renal devem conversar com o médico sobre a necessidade de investigação e acompanhamento.
A avaliação pode incluir a dosagem de creatinina no sangue, utilizada para estimar a taxa de filtração dos rins, e a pesquisa de albumina na urina, preferencialmente pela relação albumina/creatinina. Esses exames fornecem informações complementares: um avalia a capacidade de filtração; o outro ajuda a identificar sinais de lesão renal. A indicação e a frequência dependem do perfil de cada paciente.
Prevenção exige cuidado contínuo e individualizado
Proteger os rins passa pelo controle da pressão arterial e da glicemia, pela prática regular de atividade física e por uma alimentação equilibrada, com atenção ao consumo de sal e de açúcares adicionados. Evitar o tabagismo e buscar acompanhamento para o manejo do peso também fazem parte dessa estratégia.
A redução de peso, quando indicada e conduzida com orientação profissional, pode ajudar a prevenir ou retardar a doença renal. Para quem já apresenta comprometimento dos rins, o planejamento alimentar deve considerar a função renal e as necessidades individuais.
A abordagem da obesidade deve ser livre de estigma e baseada em evidências. A prevenção envolve acesso à informação e ao cuidado, com estratégias que possam ser sustentadas na rotina. Esse também é o propósito da data nacional: ampliar a compreensão sobre a doença e reduzir suas complicações.
“Avaliar fatores de risco e identificar alterações precocemente permite iniciar medidas de proteção antes que a doença comprometa de forma mais expressiva a saúde e a qualidade de vida”, salienta Fraxino.